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Marketing?

Quando um jato da Embraer caiu na China, em agosto de 2010, a imprensa nacional deu o mote e a mídia internacional copiou. Em toda e qualquer nota sobre o episódio, a manchete se repetia: Acidente da Embraer isso; acidente da Embraer aquilo…

Todos os desdobramentos receberam esse tratamento editorial, associando sempre o nome da empresa brasileira, fabricante do equipamento, ao sinistro.

Muito diferente, por exemplo, do tom usado para noticiar o acidente com o avião da Air France que caiu na costa do Atlântico em maio de 2009. A tragédia foi identificada pelo numero do vôo – 447 -, sem referências à gigante Airbus, fabricante do modelo A330, que despencou no mar matando 228 passageiros.

Fenômeno idêntico ocorre agora, em relação ao acidente da Malaysia Airlines. Do farto material produzido pelo voo misterioso, poucas linhas fazem referência a norte-americana Boeing, fabricante do 777.

E se estes episódios não fossem suficientes para ilustrar a diferença de tratamento dispensado a Embraer, recentemente tivemos mais um exemplo (possivelmente o maior deles) de como a mídia pode condenar ou proteger uma empresa.

Um exemplo construído no noticiário sobre o pouso forçado que a Avianca realizou mês passado em Brasília.

Verdade que a serenidade com que o piloto conduziu a emergência, evitando vítimas fatais, merece registro.

Mas a mídia foi além: tratou o comandante Eduardo Verly como verdadeiro herói, reproduzindo sua comunicação com a torre de controle em tom de feito hercúleo.

Nada, nenhuma linha, chamou a atenção para um fato que levaria a Avianca para o inferno astral: a deficiência do equipamento que a companhia disponibiliza para seus tripulantes e passageiros.

O Folker 100 é a sucata da sucata da aviação. E seu nome está associado a desastres famosos, com centenas de vitimas no País e fora dele.

Seu fabricante faliu há mais de 20 anos, corroído pela baixa confiabilidade de seu equipamento.

E é essa sucata obsoleta que a Avianca ainda insiste em levantar voo nos céus do Brasil.

A mídia, que insistiu na referência a Embraer nos noticiários do acidente com o jatinho brasileiro na China, protegeu a Avianca ao omitir que as falhas mecânicas e o passado de acidentes do Folker 100?

No mínimo, trata-se de um caso ilustrativo de marketing muito – muito mesmo – bem sucedido. E que esconde, da maioria da população, a aventura de uma empresa que continua a embarcar brasileiros em sucatas aéreas – o que quase custou a vida de mais de 40 passageiros que embarcaram, desavisados, no aeroporto de Petrolina com destino a Belo Horizonte.

Uma omissão que – o céu nos proteja – pode vir a aterrissar nos noticiários nacionais de forma trágica.

Quanto a Embraer, os indícios são de que essa mesma mídia (intencionalmente?) não defendeu a empresa brasileira, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo e nosso maior exportador.

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