Que o Brasil está em crise, todos sabemos. A pergunta que vale o passe para sair dessa sinuca de bico é: o que estamos fazendo para voltar a ser o país do desenvolvimento?
Receitas para enfrentar estagnação econômica existem aos montes. É só escolher o exemplo.
O dos Estados Unidos é ilustrativo. Em 2008, Tio Sam estava quebrado. Por dois anos consecutivos, amargou recessão.
A partir daí, os americanos reagiram, ancorados pela sua excelência educacional, que os colocam como celeiro tecnológico e científico do mundo. Ano passado, enquanto o Brasil amargava 0,1% de crescimento do PIB, eles cresciam 2%.
E dois pontos percentuais, em se tratando dos EUA, significa um Brasil de riquezas. Em valores correntes, o PIB americano atingiu em 2014 em torno de US$ 17,5 trilhões. O do Brasil foi de US$ 1,7 trilhão.
Na Europa, que também sofreu os impactos da crise financeira internacional, só quem a atacou com mais seriedade viu a luz no fim do túnel. Alemanha e a mão pesada de Ângela Merkel que o digam.
A permissividade do Brasil, porém, desanima até o mais otimista dos brasileiros.
Até que um dia quebre, a orientação é bancar tudo.
O Brasil sabe, por exemplo, que perderá a queda de braço da competitividade. Nossos setores produtivos encolhem, demitem, reduzem participação no PIB, mas a terceirização não sai.
A não terceirização só se encaixa nos países comunistas – empregadores solitários da massa trabalhadora. Um modelo, diga-se de passagem, que faliu em todo o mundo.
Mas quem liga para isso dentro de nossas fronteiras capitalistas? O Estado brasileiro continua o grande patrão da nação. E a despeito da conta ser tremendamente alta, aceitamos o risco ao invés de encararmos o problema de frente.
Definitivamente, não somos sérios.
Diria até que o problema é conceitual. Quando se está em atitude espartana, apagamos a luz, não trocamos de carro, reduzimos as despesas. Temos dis-ci-pli-na!
E quem está no comando tem que dar exemplo.
Não faz, por exemplo, o que a presidente Dilma Rousseff fez naquele 20 de abril, véspera do feriadão de Tiradentes, triplicando as receitas dos fundos partidários com claro objetivo de inviabilizar o xadrez político que se movimenta para seu impeachment.
Se o chefe é perdulário, como ter pulso firme para cobrar espartanidade de seus comandados?
Oficialmente, criamos em plena crise um novo mensalão – ou anuão, já que a União recheia os cofres dos partidos anualmente.
O cheque estatal, que era de R$ 289 milhões, pulou para R$ 867,5 milhões neste 2015.
O ano em que fomos reapresentados à inflação; em que nos despertaram do sonho de grande potência para acordar nos braços da recessão.
O ano em que o povo aporta em Esparta. Mas o Governo continua em Shangrilá.