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Miss?o dif?cil

A nota divulgada pelo PT da Paraíba, ontem, confirma que embora o vice-presidente da República, Michel Temer esteja empenhado em apaziguar o seu PMDB e garantir o apoio indispensável ao governo Dilma no Congresso, a animosidade entre os partidos só aumenta.

Na nota, o PT tenta justificar os fatos que impediram a realização, sexta-feira, de audiência pública da Câmara Federal na Paraíba. Foi a primeira vez que um Presidente veio ao Estado para ouvir o que os paraibanos tinham a dizer sobre propostas que tramitam na Casa, no caso, a construção de novo pacto federativo e a reforma política.

A oportunidade foi perdida. O barulho dos manifestantes inviabilizou o evento. Prevaleceu o sentimento contra Eduardo Cunha (PMDB), que foi eleito Presidente da Câmara derrotando o candidato do PT, e que tem feito oposição a presidente Dilma.

Na nota, o PT culpa Cunha pela manifestação. Diz textualmente que sob o seu comando, a Câmara “tem tomado decisões contra os interesses do povo, a exemplo da maioridade penal e da terceirização geral na produção e serviços” e que por isso tem atraído “manifestações e resistências dos movimentos sociais e populares”.

Ora, Cunha tem o poder de colocar em votação, mas não de decidir o que vira lei. Quem aprova e desaprova as matérias são os 513 deputados, de 28 partidos. Impedir votação de qualquer proposta é querer impor, a todo custo, o que não conta com o apoio da maioria.

O exemplo da maioridade penal não foi feliz, pois as pesquisas revelam que mais de 90% dos brasileiros são a favor da redução para 16 anos. Quanto a terceirização, é melhor ignorar a situação dos 12 milhões de trabalhadores ou participar da debate e introduzir garantias que satisfaçam todas as partes? O ministro Joaquim Levy (Fazenda), preferiu negociar e assegurou a arrecadação do governo.

Por fim, o PT se solidariza com os deputados Frei Anastácio, Anísio Maia e Estela Bezerra, responsabilizados por Cunha pelo protesto, e com o governador Ricardo Coutinho, acusado de omissão. A acusação foi feita sem nenhuma prova e em tom que mostra que os sentimentos do peemedebista também não são de paz, mas de confronto.

Se PT e PMDB continuarem assim, Michel temer vai enxugar gelo. Quando tudo justifica confrontos, conciliação vira utopia.

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