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Momento pra tudo

As distâncias comportamentais entre o público e o privado sempre me intrigaram. Notadamente como raciocinamos diferente.

Quando me refiro ao privado, falo da pessoa física, da família e da empresa – onde são feitas todas as contas, na ponta do lápis, e com a acuidade de quem sabe que, na eventualidade do insucesso, não haverá uma décima cavalaria a caminho para bancar e tapar os rombos.

Nesse mundo em que habito – junto com a maioria absoluta da população brasileira – não tem decreto salvador. Tampouco medida provisória para ajustar e solucionar as atitudes financeiras equivocadas.

Errou, paga a conta.

E isso é inerente a todos. Inclusive aos gestores públicos na pessoa física. Pois a coisa pública é comandada por um cidadão – que também tem casa e contas para pagar.

Mas duvido que seus comportamentos públicos se estendam ao privado.

Digo isso de muito assistir, ao longo de toda a vida, as disparidades de atitudes.

Obviamente, devo conservar o respeito pelas decisões alheias, até porque não me compete questioná-las. Porém, como contribuinte preciso, vez por outra, externar minhas preocupações.

Este é um desses momentos, testemunhando esta movimentação em torno da realocação do prédio da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Inicialmente a imprensa divulgou largamente que o novo prédio da AL seria construído em terreno próximo ao Centro de Convenções.

Posteriormente, por razões internas que o publico não foi convidado a conhecer, a decisão recaiu sobre o antigo prédio do Paraiban na Epitácio Pessoa.

Sei que o legislativo paraibano paga somas vultosas de aluguéis para acomodar seus departamentos. Resta claro e evidente que as instalações atuais não comportam mais as atividades do poder.

Porém, desde que soube da mudança de planos, me surpreendi pela má escolha do local em que desejam fazer funcionar a Casa de Epitácio Pessoa.

Afinal, quem pariu a “brilhante” ideia de obstruir a já congestionada Avenida Epitácio Pessoa – onde não existem áreas disponíveis para estacionamento da imensa frota que o Legislativo demanda, entre parlamentares, servidores e público em geral?

Também me surpreende e intriga a decisão de mudança em um momento em que as finanças paraibanas demandam ajustes.

Não sei quem fez a conta, com saldo positivo sobre o custeio das novas instalações, mas suspeito que está errada. Ao invés de redução, colherão aumento de gastos.

Assim como – também suspeito – está equivocada a decisão de sacar mais de R$ 15 milhões do caixa da AL recursos oriundos de duas gestões anteriores, acumulados com a venda da folha de pagamentos para a rede bancária e continuadas aplicações.

O erro está num princípio básico: a existência do dinheiro não significa que ele deva ser gasto.

Especialmente neste momento em que a crise já encurtou o cobertor financeiro do poder legislativo em R$ 1,5 milhão mensais.

Essas atitudes me fazem voltar à família. Deste lado de cá, um saldo desses seria preservado. E só seria usado se contribuísse efetivamente para a redução dos custos.

Mas quem sou eu para dar conselhos?

Pergunto e eu mesmo respondo: sou apenas um cidadão que já viveu o suficiente para saber que há momento pra tudo.

Para semear. Para colher. E para estocar.

E garanto, sem chance de erro: qualquer cidadão brasileiro – do mais astuto ao mais ingênuo – sabe na ponta da língua qual é a resposta certa neste Brasil de 2016.

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