O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de 28 inquéritos no Supremo Tribunal Federal. O principal deles trata do esquema de pagamento de propina a agentes políticos responsáveis pela indicação de integrantes de três diretorias da Petrobras. O PGR pretende investigar a participação de pessoas com prerrogativa de foro. Os fatos envolvendo a relação entre o núcleo administrativo, financeiro e econômico permanecem a cargo da 1ª instância. Confira abaixo uma arte explicativa do esquema de desvio de recursos da Petrobras.
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A atuação da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato foi motivada pelo envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro citadas em depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do operador financeiro do esquema, Alberto Youssef.
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Divisão política
Segundo os depoimentos, os agentes políticos responsáveis pela indicação de Paulo Roberto Costa para Diretoria de Abastecimento da Petrobras recebiam, mensalmente, um percentual do valor de cada contrato firmado pela diretoria. Outra parte era destinada a integrantes do PT responsáveis pela indicação de Renato Duque para Diretoria de Serviços. Era essa diretoria que indicava a empreiteira a ser contratada, após o concerto entre as empresas no âmbito do cartel.
As informações dos depoentes indicaram que, de 2004 a 2011, eram os integrantes do PP quem davam sustentação à indicação de Paulo Roberto, e, a partir de meados de 2011, os integrantes do PMDB responsáveis pela indicação do diretor da área internacional da estatal passaram a apoiar o nome de Paulo Roberto para o cargo de diretor. Por esse motivo também passaram a receber uma fatia da propina.
Os colaboradores ainda esclareceram que o esquema operado no âmbito da Diretoria de Abastecimento se repetia nas Diretorias de Serviços e Internacional. O pagamento da propina era feito pelas empreiteiras diretamente aos agentes políticos ou por meio dos operadores financeiros, Alberto Youssef, Fernando Baiano e João Vacari Neto.
As apurações mostram que a divisão política das diretorias da Petrobras era estabelecida da seguinte maneira:
Diretoria de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012, de indicação de integrantes do PP e posterior apoio de integrantes do PMDB. Elo entre os integrantes era o doleiro Alberto Youssef;
Diretoria de Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2012, de indicação de integrantes do PT, sendo o tesoureiro do partido, João Vaccari, responsável pela distribuição dos valores;
Diretoria Internacional, ocupada por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, de indicação de integrantes do PMDB, com integração feita pelo doleiro Fernando Baiano.
Com o aprofundamento das investigações, é possível que fatos novos sejam descobertos e surjam outros envolvidos.
No caso do mensalão, o inquérito 2245, que tratou de todo o esquema de corrupção, foi instaurado em relação a um parlamentar, mas isso não impediu que a denúncia abrangesse inúmeras pessoas cuja participação no esquema ficou comprovada ao longo da investigação.
Inquéritos específicos
Além desse esquema, outros fatos criminosos mencionados pelos colaboradores processuais também foram objeto de pedidos de investigações em outros inquéritos específicos.