
Uma mulher de 36 anos foi presa, na tarde dessa quinta-feira (27), suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos estéticos de risco em pacientes. A prisão aconteceu na própria clínica onde ela atendia, no bairro do Bessa, em João Pessoa.
De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, a mulher se apresentava como médica especialista na aplicação de ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno. Ela realizava procedimentos principalmente nas regiões dos glúteos e dos seios.
Segundo as investigações, no entanto, a suspeita utilizava soro fisiológico e ar durante os procedimentos, expondo as pacientes a riscos graves à saúde. Entre as possíveis complicações estão embolia gasosa, necrose dos tecidos e infecções.
Algumas vítimas relataram complicações após os procedimentos e precisaram ser encaminhadas para hospitais. Há ainda relatos de pacientes que teriam desmaiado durante os atendimentos e de mulheres que apresentaram necrose na região dos glúteos.
Uma das vítimas conversou com a equipe do Correio Manhã e relatou que a mulher se apresentava como esteticista. Segundo ela, foram realizadas diversas aplicações, apresentadas como ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno, com valores considerados altos. A vítima afirmou ainda que os resultados dos procedimentos duravam aproximadamente sete dias e, quando questionava a profissional, recebia como justificativa que “o seu organismo está absorvendo tudo”.
Outras vítimas também prestaram depoimento à polícia, entre elas uma influenciadora.
A mulher presa afirmou à imprensa ser formada em estética e disse que utilizava os materiais de forma correta. Entretanto, segundo a Polícia Civil, ela se apresentava como médica e realizava procedimentos para os quais não teria habilitação.
Ainda de acordo com as investigações, a suspeita teria realizado procedimentos em João Pessoa, Recife, Fortaleza e Natal.
A mulher foi presa em flagrante e autuada, em tese, pelos crimes de exercício ilegal da medicina, estelionato e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Após a conclusão dos procedimentos policiais, ela permanecerá à disposição da Justiça.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina na Paraíba (CRM-PB) afirmou que procedimento estéticos de natureza médica, especialmente os invasivos que envolvam injeção de substâncias, implantes, anestesia ou outras intervenções capazes de produzir complicações relevantes, devem ser realizadas por médicos devidamente habilitados, em ambiente adequado e com observância das normas sanitárias e de segurança.
“Intervenções estéticas podem ocasionar complicações potencialmente graves, como infecções, necrose tecidual, lesões vasculares, reações adversas, deformidades e outras situações que exigem diagnóstico rápido, tratamento adequado e capacidade técnica para manejo das intercorrências e de suas eventuais complicações”, alertou o CRM-PB.
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