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Na mesma pra

No último sábado, 26 de julho, participei de um evento que se repete há 84 anos, desde que o presidente João Pessoa foi tombado por três tiros disparados a queima roupa quando conversava com amigos na confeitaria Glória, em Recife, que costumava freqüentar. Naquela ocasião ele era o governador da Paraíba, legitimamente eleito, onde imprimia a sua marca pessoal de um administrador vanguardista e de olhos voltados para o futuro.

Naquele cenário, montado na praça João Pessoa pelo Governo do Estado para reverenciar uma das nossas principais referências históricas, que confere o seu nome à Capital paraibana, estavam a Banda da Polícia Militar, a executar os dobrados que enchem o nosso peito de orgulho e civismo; o palanque, muito bem montado, e a Guarda de Honra do Palácio prestando as honras de praxe ao governador assassinado.

Estavam também alguns poucos familiares e admiradores, saudosistas de um período em que a Paraíba se projetou perante a Nação através da inteligência de Epitácio e da rebeldia e insubmissão do seu sobrinho João Pessoa. Não se tem noticia de uma fase tão auspiciosa dos nossos políticos: um estado pequeno e pobre dando as cartas nos destinos do País.

O primeiro, como presidente da República, era apontado como concorrente de Ruy Barbosa em sua sapiência e clarividência, tendo passado pelos três Poderes da República com invulgar competência e unânime aclamação popular. O segundo, assumiu o Governo da Paraíba disposto a combater as oligarquias, a restabelecer a ordem e a fazer valer a autoridade nas questões que envolviam o Estado e os direitos dos cidadãos.

Instado pelo Cerimonial do Palácio, fui convocado a fazer o agradecimento em nome da família. Na qualidade de sobrinho neto daquele homem insubordinado que marcou a história da Paraíba, coube a mim falar do sentimento que envolve os seus descendentes naquele momento tão importante , aos pés do monumento erguido em sua homenagem.

Cumpri o meu papel e agradeci. Mas, também, cobrei dos organizadores daquela solenidade cívica maior atenção para com o homenageado e maior respeito para com a memória da Paraíba, para com a sua história e com os homens que a construíram.

Comentei a falta de uma maior divulgação daquela efeméride, lamentei a ausência na platéia de estudantes de escolas públicas , perguntei pelo Museu da Cidade e sugeri que , no próximo ano, houvesse maior empenho para que uma data tão significativa não caia no esquecimento dos paraibanos.

Falei como cidadão que vê, com tristeza, os nossos valores mais intrínsecos serem desprezados e que assiste, preocupado, ao descaso com que tratamos a nossa história.

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