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Natal fora do tom

Tive, Graças a Deus, um 2015 abençoado.

Não é, porém, com esta sensação que encerro o ano – pois realmente é difícil sentir essas bençãos quando o seu entorno está em desagregação.

Como dizia o poeta inglês John Donne em suas meditações, ninguém (todos e todas) é uma ilha.

Portanto, até mesmo os muito abençoados encontrarão em algum momento este cenário de dissolução – nem que seja com seus humores e rumores.

Pode parecer que este artigo “natalino” não esteja com o tom certo para a data. Mas quem poderá me condenar?

Espírito natalino pressupõe fé. E não está fácil para os brasileiros manterem a fé quando ela não resiste a um escrutínio mínimo do momento do nosso País.

E quando acaba a fé na nação, essa desilusão nos alcança no Estado, na cidade, dentro de nossas casas.

Talvez seja por isso que paira na atmosfera deste Natal de 2015 um clima de exasperação.

E este é um fenômeno até relativamente fácil de entender: quando as coisas vão mal, exalando preocupações e inspirando inseguranças, as pessoas não reagem docilmente.

Os termômetros estão nos becos e avenidas; nos congestionamentos nossos de cada dia e nas filas quilométricas. Neles, as pessoas expressam que estão no limite. Expurgando, para longe, o espírito natalino.

Mas é preciso ressuscitá-lo. Não aquele dos comerciais, onde tudo parece perfeito demais para ser confundido com a realidade.

Um que sobreviva apesar das provações e provocações que a vida nos apresenta; e que resista aos dissabores e frustrações.

Estou falando da fé que gera – à custa de muito afinco – um plus de coragem e confiança.

E temos bons exemplos para nos embalar.

Pois outras nações viveram momentos até mais drásticos – seja em função de crises econômicas, seja em razão de catástrofes.

Na maioria dos casos, o povo ressurgiu das cinzas mais forte. Vide a Alemanha do pós-guerra; ou o Japão sobrevivente da bomba atômica; e, ainda, os Estados Unidos submergido da recessão.

Portanto, mesmo que tenham estragado esse Natal, outros virão.

E, oxalá, sem Aedes Aegypti a nos espreitar com suas zikas, dengues e chikungunyas.

Vamos pegar o boi pelos chifres! Fé e pé na tábua.

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