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N?o faltam motivos

Na Paraíba, eles passaram de aliados a rivais há um ano, quando o PSDB rompeu a aliança com o PSB. Agora, seus interesses levam o confronto para o nível nacional, com o governador Ricardo Coutinho (PSB), fustigando o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), e prometendo batalha no campo do adversário – o Senado Federal.

Se Cássio, líder do PSDB, faz oposição cerrada a presidente Dilma Rousseff, Ricardo está na outra ponta, amealhando não apenas a simpatia da petista, mas aproximando-se dos holofotes que estão no oposicionista nesse momento de crises econômica, política e ética.

Para Dilma, ninguém melhor do que um opositor paroquial para enfrentar o líder do PSDB, por ter a vantagem de conhece-lo bem e saber onde atacar. E Ricardo anunciou no programa “Fala Governador” que vai se empenhar para que o Senado rejeite o Projeto de Decreto Legislativo de autoria de Cássio e do seu colega Aloysio Nunes, que susta o acordo que viabilizou o ingresso de médicos cubanos no “Mais Médicos”.

Os tucanos entendem que o acordo Brasil-Cuba deveria ter sido submetido ao Senado e que foi efetivado para transferir recursos para a “ditadura cubana”. Cássio aponta que enquanto o Brasil paga R$ 10.400 para cada médico, o governo de Cuba repassa apenas R$ 3.120.

Segundo Cássio, o Brasil havia transferido a Cuba, até agosto de 2014, um total de R$ 1,6 bilhão, ou o equivalente a 1/3 de tudo o que foi investido pelo governo brasileiro na construção, reforma e ampliação de hospitais, postos de saúde e UPAs no ano anterior, no país”. Ricardo rotolou a proposta de “decreto do ódio”, fruto “de quem não tem o mínimo de generosidade para com a existência humana, que quer apregoar o caos e para a partir do caos, tornar o Governo Federal mais frágil”. Cássio respondeu falando das perseguições e ameaças de Cuba aos médicos, e detalhando que o acordo descrumpriu princípios da legalidade, honestidade e imparcialidade. “Nada tenho contra o povo cubano, mas tudo contra a ditadura lá”.

Ricardo já se movimenta regionalmente e promete enfrentar Cássio no seu espaço de poder. O tucano jamais será peão nesse jogo, mas a rainha, Dilma, ganhou defensor destemido.

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