Nos Estados Unidos e em vários outros países, o preço na etiqueta diz respeito apenas ao custo do produto, livre de impostos. Na hora do pagamento, o imposto (entre 6% e 7%) é acrescentado e o consumidor tem consciência de quando está transferindo para o governo.
Aqui, os impostos estão embutidos nos preços dos produtos, o que dá a ilusão de que o valor vai ficar com quem comercializa. Contudo, a média de impostos sobre o consumo é de 32% no Brasil. Quando abastecemos o carro, 57,03% do valor da gasolina vai para o governo, assim como 45,81% da conta de luz e 47,87% do telefone.
Na mesa, o peso dos impostos é grande: 17.91% do frango, 34,47% do trigo, 36,52% do café. A higiene custa caro: 40,50% do detergente, 37.84% da água sanitária, 40,50% do sabão em barra, 42% do sabonete, 47,25% do desodorante. Se comprar um DVD, saiba que 50% do valor vai para o governo. Se beber um chope, 62,2%irá para a “viúva”.
A carga tributária brasileira é tão alta que trabalhamos 150 dias no ano só para pagar impostos. Na Argentina são 97 dias e nos Estados Unidos, 102 dias. E não podemos esquecer que não recebemos o retorno prometido. Temos que pagar por fora por Educação, Saúde e Segurança.
Não foi sem razão que o anúncio de elevação da carga tributária e da volta da CPMF provocou uma enxurrada de manifestações raivosas nas redes sociais, com expressões pesadas dirigidas à presidente Dilma. Ninguém aguenta mais pagar a conta da ineficiência e da desonestidade.
O deputado Efraim Filho (DEM) reproduziu esses sentimentos ao afirmar que a proposta “é um desrespeito à população”. Dissse mais. Que qualquer tentativa de recriação da CPMF nada mais é do que um “evidente estelionato eleitoral”, já que Dilma, na campanha, se comprometeu com o contrário, ou seja, diminuir a carga tributária.
Até o prefeito petista Luciano Cartaxo criticou a opção de Dilma. Em evento no Geisel, disse que “aumentar os impostos num momento como esse não funciona”. Previu quenão passará no Congresso.
A Presidente não pensa assim. Pediu aos governadores que convençam os congressitas a aprovarem a CPMF, se necessário ampliando o imposto de 0,20% para 0,38%, para garantir uma fatia para os Estados. Ela pode tentar ignorar, mas a corda já está esticada no limite.
Torpedo
O que for corte de gastos do governo nós aprovaremos, mas aumento de impostos ou criação de qualquer contribuição que penalize a população, dificilmente passará porque nós não podemos repassar para a sociedade mais essa conta. Do deputado Manoel Júnior (PMDB), anunciando que votará contra a volta da CPMF.
Método RC
Da tribuna do Senado, Cássio Cunha Lima acusou Ricardo Coutinho de recorrer à “velha prática” de não permitir discussão clara de temas que envolvem cidadãos, e “massacrar” paraibanos com aumento de impostos.
Crítica de Cássio
Cássio contou aos senadores que RC aumentou o ICMS para gasolina e dos importados, elevou o IPVA de 2% para 2,5% e o ITCD de 4% para 8%, e que a Oposição não tomou conhecimento do que estava votando.
Nem Dilma
Comparando o que houve na Paraíba com o encaminhamento, pela presidente Dilma, da proposta que recria a CPMF, Cássio completou: “Aqui pelo menos teremos a chance de discutir e de debater esses temas”.
Lançamentos
O presidente Marcos Cavalcanti vai promover o lançamento da Revista do Foro – Volume 134, e do “Ementário de Jurisprudência – Volume II, no dia 22, no Tribunal de Justiça. Leandro dos Santos fará a apresentação.
Zigue-Zague
O paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) integrou o grupo de líderes que levou apoio à presidente Dilma, contra o movimento no Congresso pelo seu impeachment.
O TCE recusou embargo e manteve o prazo de 180 dias para que a PMJP regularize o quadro de pessoal, no que diz respeito a contratação de 3.054 temporários.