Moeda: Clima: Marés:
Início Geral

Novos padr?es

Convivo com a política paraibana há 45 anos – tempo relativamente longo para um observador espreitar uma cena sem que seja marcado por experiências surpreendentes, impactantes, capazes de alterar a compreensão que se tem do seu entorno.

E se tem uma convicção consolidada do ângulo em que enxergo a história acontecer a partir deste observatório é que o modelo político mudou.

Evoluiu.

E esta evolução atinge as duas partes envolvidas nesta dualidade: o político e (claro) o eleitor.

Os ansiosos podem achar que a mudança não é assim tão graúda. Alguns, mais céticos, haverão de questionar se a tal alteração de fato ocorreu. E a todos eles, digo que sim: a mudança é efetiva e substanciosa, embora a evolução não tenha ocorrido (ainda) no nível que desejamos e precisamos.

Dois fatores foram decisivos: o crescimento do grau de educação da população e o aparecimento do aparato tecnológico a serviço da comunicação.

Juntos, mudaram o padrão e a expectativa. E têm potencial para soterrar muitas pretensões.

Não é preciso escalar a torre mais alta para enxergar o fenômeno acontecendo. Está diante do nariz, palpável.

A despeito disso, muitos parecem ignorá-lo.

E por não ver o óbvio, vão as praças anunciar que entrarão ou exercerão espaço político futuro em função de serem cópias de seus antecedentes.

Estão redondamente enganados.

Sim, sobrenomes estelares ainda fazem diferença nas disputas eleitorais. A diferença é que, no cenário atual, os herdeiros políticos precisam estar preparados para receber seu quinhão na partilha.

Pois até os sobrenomes mais ilustres não estão mais imunes ao escrutínio desse novo eleitor e de seus novos padrões.

Portanto, não basta achar que tem direito a tomar posse no que foi conquistado por gerações pretéritas, numa espécie de usucapião de espólios políticos.

É preciso ter talento.

Quem não está vendo que o curral abriu? E que as porteiras estão escancaradas para novas experiências políticas?

Neste novo cenário, a curva de tendência não puxa para o populismo e sim para o labor.

Sai de cena o slow motion com a criança no colo para enquadrar o canteiro de obra, a melhoria dos serviços, a viabilização de mais qualidade de vida para a pluralidade.

E quem quiser fingir que não está vendo isso, a cegueira – e só ela – é a opção.

Palavras Chave

Portal Correio
publicidade
© Copyright 2026. Portal Correio. Todos os direitos reservados.