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Número de vítimas identificadas em Brumadinho chega a 250

Oito meses após o rompimento da barragem em Brumadinho, no último domingo, 29 de setembro, mais uma vítima da tragédia foi identificada. Com isso, de acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, o número de mortes confirmadas sobe para 250. Agora as equipes continuam o trabalho em busca de 20 pessoas que ainda estão desaparecidas.

O corpo encontrado foi do montador Luciano de Almeida Rocha, de 40 anos. A identificação foi feita por meio da arcada dentária. Em janeiro, um amigo de Luciano, que estava com ele no momento do rompimento da barragem, afirmou que não o viu mais depois de sair correndo para escapar da lama. Colegas dele contaram à família que, entre o rompimento e a chegada dos rejeitos ao refeitório da Vale, passaram-se apenas trinta segundos.

As equipes que atuam na busca de desaparecidos nas tragédias como a de Brumadinho e Mariana são compostas por profissionais do Corpo de Bombeiros. Para tentar resgatar as vítimas do desastre, mais de 500 bombeiros se mobilizaram com o auxílio de quinze helicópteros e vários cães farejadores. Atualmente, oito meses após o desastre, 147 bombeiros militares e dois cães farejadores estão atuando em 22 frentes.

Relembre a tragédia de Brumadinho

No dia 25 de janeiro de 2019, a barragem do córrego do Feijão, da mineradora Vale, localizada na cidade de Brumadinho, que fica a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, se rompeu, causando um dos maiores tragédias socioambientais do mundo em três décadas. O mar de lama formado por cerca de 12 milhões de metros cúbicos de dejetos destruiu as instalações da empresa, incluindo o refeitório onde dezenas de funcionários almoçavam, uma pousada, casas, estradas e tudo o que encontrou pelo caminho.

Mais de 180 corpos foram resgatados pelos bombeiros nas semanas seguintes e a lista de desaparecidos continha cerca de 300 pessoas, entre moradores da cidade, turistas e trabalhadores da Vale. Hoje, já são 250 mortos e 20 desaparecidos.

Responsabilização da Vale

Em janeiro, dois engenheiros suspeitos de fraudes em Brumadinho chegaram a ser presos para que a polícia pudesse investigar se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, haviam sido fraudados.

No mês de julho, seis meses após a tragédia de Brumadinho, a mineradora Vale foi condenada a pagar todos os danos causados pelo rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão. Foi a primeira condenação da empresa nos processos envolvendo o desastre.

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as causas do rompimento da barragem da Vale. Em setembro, a CPI de Brumadinho foi concluída com o pedido de indiciamento de 13 funcionários da Vale e da TÜV SÜD.

Além de pedir o indiciamento, o relatório elaborado pelos deputados estaduais mineiros que compuseram a CPI nomearam responsáveis pela tragédia da Vale e ainda faz mais de uma centena de recomendações a órgãos públicos para evitar eventuais novos desastres na mineração.

Desastre de Mariana

A tragédia de Brumadinho não foi a primeira envolvendo rompimento de barragens de rejeitos de mineradoras. Em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco (da qual a Vale detinha 50% das ações), deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas em Bento Rodrigues, distrito da cidade de Mariana, também em Minas Gerais.

A barragem de Mariana abrigava cerca de 56,6 milhões de metros cúbicos de lama de rejeito. Desse total, 43,7 milhões vazaram. Os rejeitos atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de moradores da região sem água e sem trabalho.

Quase quatro anos depois do desastre socioambiental de Mariana, a maioria dos atingidos ainda não foi indenizada e grande parte da área ainda continua debaixo da lama.

Brumadinho e Mariana: tragédias ambientais

As tragédias de Brumadinho e Mariana causaram impactos ambientais que serão sentidos por anos.

O rompimento da barragem do Fundão liberou o equivalente a 25 mil piscinas olímpicas de resíduos. A enxurrada de lama afetou o Rio Doce, chegando até o Oceano Atlântico, no Espírito Santo. O impacto mais perceptivo no ambiente aquático foi a morte de milhares de peixes, que sucumbiram em razão da falta de oxigênio na água. Outros seres vivos também foram afetados e a quantidade de lama liberada provocou até mesmo o assoreamento de cursos d’água e soterramento de nascentes. Especialistas estimam que o rio Doce levará pelo menos dez anos para se recuperar de todo esse estrago.

Já o acidente em Brumadinho provocou a perda de aproximadamente 125 hectares de florestas, o equivalente a mais de um milhão de metros quadrados, ou 125 campos de futebol. Os rejeitos da mineração atingiram ainda o rio Paraopeba, que é um dos afluentes do rio São Francisco. A grande quantidade de lama tornou a água imprópria para o consumo, além de reduzir a quantidade de oxigênio disponível, o que desencadeou em grande mortandade de animais e plantas aquáticas.

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