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O Brasil que queremos

Neste instante de nossa história republicana, marcada por crises políticas e econômicas, muitos brasileiros se perguntam: quão fortes estão as instituições que sustentam a nação?

Estão sólidas?

Independentes?

Partilhando de forma equânime a dantesca responsabilidade de seguir consolidando o Brasil como pátria democrática, livre e justa para a maioria dos seus filhos?

Os pessimistas dirão: eis uma questão impossível de responder.

Os moderados ponderarão (como lhes é do feitio): o tempo -um punhado dele- trará a resposta.

Oscilando entre a moderação e otimismo, lhes digo: o País terá uma resposta eloquente nos próximos seis meses.

Mais precisamente no dia 17 de setembro.

Nesta data, o procurador-geral da Republica Rodrigo Janot deve deixar o comando do Ministério Público Federal.

Destemido e diligente, Janot é figura de proa nas investigações que descortinam diante dos brasileiros o mais bilionário esquema de corrupção do País, o Lava-Jato, e mandou para a cadeia sócios e executivos de empreiteiras gigantescas.

Hoje, além de se cercar de um pelotão de segurança, Janot corre contra o tempo para concluir o processo. Sua recondução ao comando do MPF é tida como improvável. Sua saída, porém, instaura uma sucessão delicada.

O que se comenta nos bastidores é que , seja lá quem for pinçado para substituir o atual procurador-geral, precisa manter o ritmo das investigações sob pena de assanhar um vespeiro maior: mais de mil procuradores, espalhados pelo País, dispostos a abrir milhares de processos.

Portanto, daqui a pouco menos de seis meses, o País dirá se quer mesmo continuar aspirando a sujeira ou optará por esconde-la debaixo de algum tapete felpudo do Planalto.

Confirmará, inclusive, a força e a verdadeira intenção do pacote anticorrupção baixado na última quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff.

E sinalizará, para quem se angustia hoje com as hordas instaladas à porta dos cofres públicos, que haveremos de superar os dias de trevas e sobreviver enquanto nação democrática.

A melhor das respostas – claro – seria a recondução de Janot ao comando do MPF. E a ascensão do competente e corajoso juiz federal Sérgio Moro, outra figura decisiva no desenrolar do Lava Jato.

Quem sabe para ocupar vacância deixada há tanto tempo por Joaquim Barbosa no STF? Afinal, diferente das demais cortes jurídicas, o Supremo só impõe três pré-requisitos – e Moro se encaixa em todos eles: reputação ilibada, ter entre 35 e 65 anos e notório saber jurídico.

Uma convicção a maioria dos brasileiros tem desde já: a construção dessa nação dos sonhos dos homens e mulheres justos desse País passa pela independência e fortalecimento de organismos como Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal.

Três pedras no caminho dos corruptos.

Três alicerces na edificação deste Brasil que queremos.

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