Quem tiver paciência de ouvir e analisar o que dizem os arautos do governo federal, poderá facilmente concluir que vivemos num País sem problemas, bem próximo ao Canadá, Suíça, Dinamarca e outros de elevado índice de desenvolvimento humano.
Uns chegam a afirmar que temos uma posição de pleno emprego. Negativo. Estamos atravessando um período muito crítico no setor industrial, onde está havendo demissões em massa, tanto é verdade, que no mês de julho passado o Brasil teve o pior resultado em ofertas de vagas, o maior desde 1999, segundo o Ministério do Trabalho.
Releve-se, ainda, que o grande número de empregados, segundo pesquisa do Data Folha, são cargos não qualificados, como serventes de pedreiro, vigilantes, auxiliares de serviços, vendedores do comércio, faxineiros, isto é, mão de obra não qualificada. Esse é o problema de um País que não se preocupa com a educação e a qualificação de sua mão de obra, objetivando a produtividade.
Apesar de afirmarem que damos oportunidade para todos na educação, ainda temos mais de dezesseis milhões de analfabetos, milhões de crianças e adolescentes sem uma boa escola, em consequência de um péssimo ensino público.
Asseguram, ainda, que a maioria de brasileiros deixaram a linha de pobreza em virtude do Bolsa Família. Isso não é verdade, ninguém deixa de ser pobre recebendo tão somente cem ou duzentos reais por mês. A grande verdade é que muitos subiram na escala econômica, mas, por esforço próprio e, salvos por um plano real que deu certo, reduzindo uma inflação estratosférica para níveis de padrões desejáveis. O Bolsa Família deve continuar para ajudar as pessoas até o Estado cumprir a sua obrigação de qualificá-las e dar as condições para terem o seu próprio negócio, o emprego digno e sua independência financeira. Manter o cidadão preso a uma pequena ajuda, sem lhes oferecer qualificação, é escravizá-lo.
Assim o Brasil caminha lento, sem educação, saúde, segurança, infra-estrutura e saneamento básico. O seu crescimento é pífio não pela crise internacional, mas por loteamento de cargos como na Petrobrás, Eletrobrás, Denit e outros órgãos, atendendo tão somente a conveniências políticas, onde a meritocracia devia prevalecer. A Petrobrás sucateada, a Eletrobrás com déficits, sanados por empréstimos do BNDES, que o povo começará a pagar logo após as eleições.
Recentemente, o empresário Abílio Diniz afirmou que os grandes acordos políticos, em nível nacional, poderão tornar o Brasil ingerenciável, e nós acreditamos que isso poderá significar a continuidade do loteamento de cargos públicos importantes neste País. Até quando o Brasil e os brasileiros vão suportar tantos desmandos e incompetência?
As eleições se aproximam, analisem e escolham o melhor para o Brasil, e isso não será difícil, se você optar por quem apresentar as melhores propostas.