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O choro de Lula e as Olimp?adas II

 

Artigo de Roberto Cavalcanti

 

 

O texto acima foi publicado, conforme a data do impresso atesta, em outubro de 2011. Naquela época, fazia três anos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha comunicado aos brasileiros, em lágrimas, que o País teria a honra de sediar as Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro.

Agora já se passaram quase cinco anos de lágrimas e inércia. E republicá-lo hoje é mais uma tentativa de alertar sobre os novos desastres que se desenham no horizonte esportivo do País.

Pois quem acha que chegamos aos fundo do poço com a Copa do Mundo de Futebol – que termina hoje com sabor de derrota em função dos vexames vividos – pode descobrir, em 2016, que o buraco é – literalmente – mais embaixo.

A desastrosa performance é, na verdade, apenas mais um ingrediente indigesto no cardápio que vem sendo oferecido aos brasileiros.

A nação não se preparou (e continua a não se preparar) para vencer em nenhum dos campos: nem no esportivo, nem no institucional.

Na copa, este despreparo começou pela Seleção.

Uma das instituições mais amadas do País sai do torneio – onde deveria ter brilhado – assustadoramente diminuída. A idolatria deu lugar a chacota. O manto verde-amarelo virou piada nas ruas e nas redes virtuais.

O que se percebe, neste encerramento, é que nunca tivemos uma equipe preparada para ganhar.

Ao invés de trabalho árduo e contínuo, a CPF resolveu pegar um atalho: recorreu a um técnico ultrapassado, que montou um esquema tático também antiquado – e dele nunca se desfez, mesmo nunca tendo funcionado – operacionalizado por uma meninada chorosa e vacilante.

Feito pior fez o Estado, que prometeu, e não cumpriu, o tal legado da copa. Afora os estádios bilionários, apenas 41% das obras de infraestrutura (menos da metade, portanto) foram materializadas.

Diante do desastre, acho que Lula – como bom brasileiro que é – agora tem sim bons motivos para chorar. E com amplas chances de continuar a debulhar lágrimas copiosas quando o próximo grande evento esportivo chegar ao Brasil.

Pois desde que emocionou o País, diante da conquista da sede dos Jogos Olímpicos, em outubro de 2009, pouco foi feito para que os brasileiros não amarguem, também em outras modalidades esportivas, as derrotas amealhadas neste 2014.

E não estou me reportando apenas a obras de infraestrutura. A verdade é que não se vê, em qualquer parte deste País, mobilização para vencer.

Falta o incentivo decisivo para a prática dos esportes amadores; falta a concentração nacional para tamanha responsabilidade; faltam recursos para operacionalizar os centros esportivos.

E com tantas faltas, sobrarão humilhações quando chegar o momento de computar o quadro de medalhas. Certamente não estaremos nos lugares privilegiados desse pódio. Pois nunca começamos a operar nossa fábrica de vencedores.

Será que 2016 também será tempo de chorar?

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