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O confronto e o Brasil

Embora seja do interesse de alguns reduzir a questão ao nome que ocupará o poder – Dilma Rousseff (PT) ou Michel Temer (PMDB) – o que estará em jogo, hoje, é muito maior. É como, depois desse confronto, o Brasil enfrentará a gravíssima crise econômica que já comprometeu irremediavelmente as conquistas sociais das últimas décadas.

Durante os últimos 15 meses – todo o 2° mandato – Dilma Rouseff aumentou impostos, elevou radicalmente os preços da energia e da gasolina e mexeu em direitos dos trabalhadores, mas o que conseguiu foi fazer a inflação disparar, a renda cair, o desemprego atingir 9,5% da população economicamente ativa (os desocupados chegam a 10 milhões). Estamos no 3° ano de recessão e sem luz no fim do túnel.

Quanto tinha a maioria no Congresso, Dilma não conseguiu apresentar um plano econômico consistente, capaz de tirar o País do caos gerado por sua gestão. O que fará sem apoio para aprovar um simples projeto de lei? Assistir o Brasil real derretendo até 2019, mas sentada na cadeira presidencial, como teme o senador Cássio Cunha Lima?

O que esperar de Dilma, quando as representações dos setores produtivos do Brasil – indústria, comércio, agricultura e serviços – apoiaram o impeachment por não enxergar nela as condições para tirar o País da crise?

Sem apoio político, sem apoio da classe empresarial, sem a confiança da população, conseguirá vencer o desafio da recessão que é ameaça a todos os brasileiros? Se conseguir barrar o impeachment, Dilma poderá comemorar uma “vitória de Pirro”, aquela cujo custo é tão alto que equivale a derrota.

Passando o impeachment, não haverá nenhuma segurança de que Michel Temer consiga o que Dilma não foi capaz. Contudo, haverá a seu favor a expectativa de mudança e uma maioria no Congresso Nacional co-responsável pelo que fizer. Em razão da promessa de um governo de unidade nacional, estará eticamente obrigado a perseguir esse objetivo. E pelo conjunto, estará sob os holofotes como nenhum outro.

Para a quase totalidade dos brasileiros, não se trata de nomes ou partidos, de quem vai subir ou descer, mas do País que resultará da decisão de hoje.

TORPEDO

E o que mais impressiona é que não há nenhuma preocupação com o Brasil real que está derretendo. Essa sanha de poder, essa vontade de se manter no cargo a todo preço, a todo custo, não pode ser maior que o sofrimento do povo brasileiro.

De Cássio Cunha Lima (PSDB) para quem o discurso do PT não demonstra preocupação com os 10 milhões de desempregados no Brasil.

Alto preço

Gravíssima a denúncia feita pelo deputado Benjamin Maranhão (SD), da tribuna da Câmara: R$ 1 milhão seria o valor que estaria sendo oferecido a deputados para não comparecerem a votação do impeachment, hoje.

Pensando

O deputado Wellington Roberto admite seguir o PR no voto a favor de Dilma, mas não descarta acompanhar a dissidência aberta pelo seu ex-líder, Maurício Quintela. É o único dos 12 paraibanos que continua indeciso.

Definitivo

Do deputado Rômulo Gouveia (PSD): “Infeliz do homem público que fica na contramão da historia. Não posso votar contra a maioria da população que não acredita mais nessa mudança propagada pelo governo”.

Cidadania

Os grupos pró (Busto de Tamandaré – Tambaú) e contra o impeachment (Praça da Paz – Bancários) estarão nas ruas, hoje, em João Pessoa, para acompanhar a sessão de votação na Câmara, com início previsto para 14h.

ZIGUE-ZAGUE

Michel Temer usou o Twitter para responder a fala de Dilma, de que acabará com o Bolsa Família: “Falso. Mentira rasteira. Manterei todos programas sociais”.

E deu seu recado: Defendo a unificação e pacificação dos brasileiros. Não o caos, o ódio e a guerra. Só sairemos da crise se todos trabalharem pelo Brasil”.

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