Com seus votos, tanto Cássio Cunha Lima (PSDB) como Ricardo Coutinho (PSB) poderiam ter vencido a eleição no 1º turno. Mas não é esse o único motivo que faz do senador Vital do Rêgo (PMDB) o fiel da balança no 2º turno. É principalmente o conceito que construiu a partir de um comportamento ético e da apresentação de uma proposta de governo consistente, que chamou de ‘Plano de Estado’ porque não visava projetar o governante, mas fazer o certo para gerar desenvolvimento para a Paraíba.
Vital do Rêgo entrou na campanha para salvar o PMDB de um racha. O maior partido da Paraíba em número de prefeitos, vereadores, deputados e filiados, não aceitou bem a rasteira que recebeu do PT, com quem negociava uma aliança e que preferiu unir-se ao PSB. Uma parte queria responder fazendo coligação com Cássio e outra, com Ricardo, mas ambas teriam provocado rompimento irreversível.
Nesse cenário, Veneziano Vital do Rêgo entregou a candidatura ao governo e o PMDB convocou o senador Vital do Rêgo para a missão de representa-lo na disputa. Foi convidado na véspera da convenção, mas encarou o desafio, que tornou-se maior diante da infidelidade dos prefeitos e de várias lideranças de peso do partido, inclusive candidatos que queriam atrelar suas imagens a um dos nomes que polarizavam as atenções.
Vital assumiu uma postura de “Pollyanna”, a otimista personagem do romance de Eleonor H. Porter. Ao invés de reclamar preferiu trabalhar, e usou seu tempo no guia eleitoral, nas entrevistas e nos debates para defender o seu ‘Plano de Estado’, sem partir para o denuncismo ou ofensas pesadas, embora com postura crítica.
A campanha permitiu a Vital ser mais conhecido dos paraibanos. Sua fidelidade aos aliados rendeu o apoio da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, apesardo PT paraibano ter ficado com Ricardo. E ele termina essa etapa com melhor conceito do que quando entrou. O PMDB, ganhou mais um senador e o 2º deputado federal mais votado do Estado.
O assédio a Vital do Rêgo começou ontem, mas ele não vai tomar uma decisão isolada. Conversará com as principais lideranças do PMDB. Trabalhará por uma decisão coletiva, mas Campina terá peso diferenciado nessa escolha.