O guia de inserções

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A campanha deste ano será diferente de todas as passadas, e não apenas porque a reforma política de 2015 proibiu os que sempre foram os maiores doadores – as empresas – de investirem em candidatos. Mas pelas regras para impedir compra e venda do tempo de propaganda no rádio e TV entre quem tem e os que não têm candidatos majoritários.

A reforma foi influenciada pelas revelações da Lava Jato e o povo nas ruas. Assim, estabeleceu como objetivo reduzir os altos custos das cada vez mais sofisticadas campanhas eleitorais.

Para desestimular o comércio de “apoio”, a lei fixou teto para custo das campanhas (para prefeito, 70% do valor declarado pelo candidato que mais gastou no pleito anterior. No 2° turno, até 50%) e estabeleceu que em caso de aliança só será considerada para o tempo de propaganda a soma dos deputados federais dos seis maiores partidos.

Exemplo: a candidata Cida Ramos (PSB), já tem o apoio de 13 legendas. Sete não entrarão no cálculo para sua propaganda. Luciano Cartaxo (PSD) conta com oito, mas duas não contribuirão nesse quesito.

Resumo: os partidos com grandes bancadas terão mais poder de barganha, e os menores passam a simples figurantes.

Vale para esse cálculo os eleitos em 2014, menos os que migraram para partidos novos. Exemplo: o PT elegeu 69 deputados, perdeu 11, mas apenas quatro migraram para siglas criadas após o pleito. Conta 65 para o tempo. Na lista dos 10 maiores estão ainda PMDB (64), PSDB (54), PP (38), PSD (36), PSB e PR (34), PTB (24), PMB (22) e DEM (21).

A propaganda no rádio e na TV foi reduzida de 45 para 35 dias, e o formato alterado: serão dois blocos diários de 10 minutos e apenas para os candidatos a prefeito. Mas, os partidos terão outros 70 minutos para inserções (60% para prefeitos e 40% para vereadores).

Esse modelo garante equilíbrio. Em João Pessoa, nenhum dos candidatos a prefeito terá tempo extraordinário. Na melhor das hipóteses, cerca de 3 minutos nos guias. As inserções terão importância maior e as mídias sociais serão muito exploradas.

Os debates serão vitrines e catapultas com poder para projetar os bons em confronto. Embora só candidatos de partidos com mais de nove representantes na Câmara tenham convite garantido, sempre prevalece o espírito democrático.

TORPEDO

“Minha primeira proposta é falar a verdade. A segunda, é transparência na aplicação dos impostos. O cidadão vai saber onde o seu IPTU foi gasto. Não vou cometer o erro de fazer promessas que não poderei cumprir”.

Do deputado Manoel Júnior, pré-candidato do PMDB a prefeito de João Pessoa.

Alerta

Do marqueteiro Anderson Pires, sobre a conjuntura, campanhas e decisão de voto do eleitor: “Quem ainda se comportar como se a comunicação fosse de via única, pode sobrar na curva e esbarrar no eleitor”.

Testemunhas

O senador Raimundo Lira confirma para às 16h desta segunda-feira a oitiva de quatro novas testemunhas, no processo de impeachment da presidente Dilma. Até o dia 20 pretendem ouvir também as 40 da defesa.

Regras para…

Cássio Cunha Lima defende critério técnico para nomeações nas estatais: “Grandes empresas, como é o caso da Petrobras, foram praticamente à ruína com gestões irresponsáveis, desonestas, desastrosas, incompetentes”.

… governança

Disse mais: “A Petrobras virou um espaço de corrupção praticada pelo PT, pelos seus indicados, para financiar projetos de enriquecimento pessoal, enriquecimento político, e também o próprio projeto político do PT.”

ZIGUE-ZAGUE

Michel Temer adiou visita que faria ao Nordeste durante a semana. Ele decidiu levar pessoalmente ao Congresso a PEC que estabelece teto para o gasto público.

A proposta é tida como fundamental para o ajuste das contas e reconquista da confiança de investidores. Temer irá ao Congresso na quarta-feira.

Em respeito à Legislação Eleitoral, o Portal Correio não publicará os comentários dos leitores. O espaço para a interação com o público voltará a ser aberto logo que as eleições de 2018 se encerrem.

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