O brasileiro sabe (ou sabia) rir de suas aventuras e desventuras. Rindo de nós mesmos e dos nossos problemas (mesmo quando são graves), acabamos por construir uma imagem desejada – e até certo ponto invejada – por muitos povos: a do bom humor.
Essa é a fama que nos precede onde quer que a gente vá.
Alguns haverão de achar que a gente brinca muito com coisas sérias. E que acaba por relativizar, com piadas e ironias, problemas graves como corrupção e miséria social.
Mas esta é – ao contrário do que muitos podem precipitadamente pensar – uma boa fama por muitos bons motivos.
O principal deles é que o bom humor está intrinsecamente ligado ao otimismo. E não conheço povo ao mesmo tempo pessimista e empreendedor.
Pessimistas, de uma forma geral, não alavancam ideias nem projetos. Se sonham, o fazem capengamente, e têm sempre muita dificuldade para concretizá-los.
É preciso apostar, crer e ser otimista para investir, criar, crescer.
Desafortunadamente, parece que o brasileiro está perdendo o bom humor – uma característica que resistiu aos nossos momentos mais turbulentos e que parece sucumbir a este instante de desmandos, obras não realizadas, roubalheiras.
Será?
Será que é mesmo esta consciência que contamina o bom humor nacional?
Desconfio muito que, por traz desta cortina de fumaça, estão em curso ações orquestradas, pautadas – persistente e percucientemente – para azedar o humor nacional e fazer dos brasileiros uma gente que não acredita em mais nada.
Parece que estão tendo sucesso. Mas será que contabilizam o perigo dessa estratégia?
Pois se for ação pragmática para ganhar poder, mais adiante terão diante de seus pedestais políticos uma nação doente.
E não será fácil curar a cabeça do brasileiro.
Meu pai, o Doutor René Ribeiro, costumava dizer em casa: o pior dos males não esta no corpo e sim na cabeça. Psiquiatra experiente, devia saber o que dizia pois a literatura médica reconhece, até hoje, a extrema dificuldade de cura de maníacos depressivos.
Obviamente, não estou defendendo que a gente, alienadamente, transforme nossos problemas em uma anedota de mal gosto. Nossas mazelas não têm graça.
Proponho, apenas, que o País reaja a essa má catequese e não destrua, em função da atual conjuntura, um traço positivo da nossa cultura: o humor.
Uma destruição com potencial para atingir o bolso e a mente do brasileiro.