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O legado do catal

Somente o catalão Francesc Petit – que morreu em setembro do ano passado, em São Paulo – poderia fazer a capa, a diagramação e as ilustrações do livro “Barcelona, Borborema”, de José Nêumanne Pinto, lançado em 1992 pela Geração Editorial. Além de publicitário (fundou a agência DPZ em 1968, juntamente com José Zaragoza e Roberto Duailibi), Petit era pintor, desenhista, cenógrafo e diretor de arte.

Fundamentalmente, Francesc Petit era um “designer”, considerando que a comunicação tem a obrigação de ser concisa e rápida. Criou “layouts” publicitários que eram dignos de obras de arte, com o mesmo carinho e dedicação com que pintava um quadro. Amigos mais próximos a Petit diziam que às vezes ele não fazia as refeições normais do dia para não interromper um trabalho. Considerava um absurdo, levando-se em consideração sua idade, sua saúde. Não acho. O catalão tinha a força maiúscula. Também é necessário deixar claro que ele foi importante para a mudança no jeito brasileiro de fazer propaganda, até 1968 marcada pela nacionalização de anúncios vindos de fora. Por influência de Petit, a DPZ
mexeu na acomodada “colméia publicitária” e a nossa propaganda começou a ter cara própria.

Armando Ferrenteni, editor do “Propmark”, destacou: “Petit foi (e prossegue sendo) querido não apelas pela sua obra, que extrapolou de muito os limites de um artesão publicitário, adentrando as diversas formas de expressão artística. Provavelmente, nem ele mesmo soubesse dizer que veia se manifestou primeiro: a de profissional (e mais tarde empresário) da propagada, ou a do artista catalão das artes plásticas, que não foram estas capazes todavia de segurar o talento em seu vasto campo de atuação”.

E o precioso legado de Francesc Petit no campo da literatura, com livros instigantes como “Quem inventou Picasso” (tenho uma edição por ele autografada em São Paulo, o que me deixou honrado) e “Romance de Barcelona”.

Quanto ao livro de José Nêumanne, “Barcelona, Borborema”, e a música homônima de Gustavo Magno, não teriam existido como profundidade sem o catalão Francesc Petit.

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