O impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello deixou muitas lições para os brasileiros. Saiu o jovem e charmoso “caçador de Marajás”, que confiscou a poupança dos brasileiros, não resolveu a crise e virou “caça” por conta de corrupção. Entrou o vice, um mineiro com topete marcante, fã do ultrapassado fusquinha, mas com comportamento ético irrepreensível. No curto espaço de dois anos, legou ao Brasil o Plano Real e a estabilidade econômica.
Na próxima quarta-feira, o plenário do Senado deve decidir sobre o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), o “Coração Valente”, a ex-guerrilheira que chegou ao poder e agora é acusada de crimes de responsabilidade. Confirmado, assumirá outro vice, agora um paulista, doutor em Direito, autor de vários livros, que exerceu seis mandatos consecutivos de deputado federal, e foi duas vezes presidente da Câmara dos Deputados antes de aceitar, em 2010, concorrer a vice-presidente.
Em comum com Itamar Franco, Temer terá não apenas a filiação ao PMDB, mas uma crise econômica como herança. E para enfrentar o desafio, deve contar com especialistas que tenham aval de partidos, do mercado e da sociedade, porque sem credibilidade não terá força para fazer as reformas fundamentais à retomada do desenvolvimento.
A lista de confirmados tem três nomes de peso. Começa com Henrique Meirelles, a quem caberá recuperar a economia, controlar a inflação e garantir empregos. Seria para Temer o que FHC foi para Itamar. Deverá contar com a ajuda do senador Romero Jucá, cotado para o Planejamento e que deve assumir a articulação com o Congresso. O tucano José Serra é unanimidade para o Ministério das Relações Exteriores, pela possibilidade de ampliar os horizontes do país.
Há disputa por espaços, mas também há uma consciência de que a Nacão está de olhos e ouvidos bem abertos, que não aceitará que os interesses maiores do País sejam deixados de lado mais uma vez, para favorecer um projeto de poder, seja de um homem, de um partido ou de um grupo de partidos. O exemplo do PSDB, que promete apoio sem exigir cargos, aponta para mudanças na prática política.
Michel Temer terá uma bala. Se errar, vai ter que encarar o povo nas ruas. Se acertar, entrará para a história, assim como Itamar Franco.
Torpedo
“Fizeram várias plenárias para escolher João Azevedo como pré-candidato a prefeito e nenhuma para rifá-lo e confirmar Cida Ramos. É golpe!”.
Do deputado Raniery Paulino (PMDB), alfinetando o PSB pela substituição do candidato a prefeito de João Pessoa.
Fechado…
O presidente do PCdoB em João Pessoa, Agamenon Travassos conta que em 2015 tentou conversar com o PSB, a quem apoiou em 2014, sobre o projeto municipal, sem sucesso. Agora está fechado com Luciano Cartaxo.
… com Cartaxo
Agamenon esclareceu declaração da candidata Cida Ramos (PSB), de que estariam conversando e que existiria possibilidade de reversão do apoio. O PCdoB apoia o governo RC, mas defenderá a reeleição de Cartaxo.
Nem aí
Luciano Cartaxo diz que o PSB trocou de candidato, mas manteve a “ladainha” de desvalorização de sua gestão. Garante que não vai interferir na sua decisão de manter o foco no trabalho até o inicio oficial da campanha.
Mudança
O líder Cássio Cunha Lima disse que o PSDB optou por não fazer indicação e não vetar nomes para o eventual governo Temer, como “uma contribuição real na mudança na forma de fazer política no Brasil”. Bom.
Zigue-Zague
Está na pauta de hoje do STF a ação proposta pela Rede que pede o afastamento do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara, por ser réu em processo.
O relator é Marco Aurélio Mello e Cunha responde a ação por corrupção e lavagem de dinheiro. Pode ser impedido de substituir Temer temporariamente.