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O que ? a vida?

Essa era a dúvida essencial – e, cá pra nós, nada simplória – que o discípulo levou ao velho sábio:

– Mestre, o que é a vida?

O sábio respondeu de pronto, sem titubear:

– Um traço!

O discípulo retrucou, visivelmente decepcionado:

– Um traço? Só isso?

Ele certamente esperava resposta mais profunda, melhor fundamentada, sobre a complexidade que envolve a vida.

Mas ele era o mestre e, de certo, não havia alçado esta condição por engano. Então, insistiu:

– Como o senhor chegou a esta definição?

O sábio explicou que havia procurado entender a vida a partir de seu final, em peregrinações por cemitérios. E percebeu, nestas incursões soturnas, que em todas as lápides havia uma informação comum: duas datas e, entre elas, um traço. Aquele símbolo, separando datas de nascença e de morte resumia, sem dúvida, a vida.

Essa fábula foi contada pelo velho (e sábio) Enivaldo Ribeiro ao jovem Aguinaldinho, quando ele nem imaginava o tamanho que viria a ter na Paraíba e no Brasil.

Já ministro, comandante de uma das pastas mais estratégicas do Planalto, lembrou da fábula contada pelo pai.

Em um pronunciamento dirigido à nação e a presidenta Dilma Rousseff, reeditou a sabedoria que a fábula do mestre contém. E deixou sua audiência pensativa.

A vida é, de fato, um traço que nos separa do berço ao túmulo.

Ele marca o tempo de cada ser, escalado por Deus, para esta experiência maravilhosa que é estar vivo.

Tempo, portanto, é vida. E nas bem vividas, o tempo é usado com sabedoria, permitindo que as experiências aconteçam; que as realizações se materializem.

Segundo os budistas, o tempo é efêmero – operando sempre na lógica da transitoriedade. O instante, porém, é sublime. É nele que a gente vive.

E o instante nunca ocorre de forma desconectada. Mesmo que estejamos mirando planos futuros, não podemos perder as referências do passado.

É essa conexão que nos norteará na jornada de formatação do traço particular de cada um.

Conheço gente muito rica com histórias muito pobres. E até criaturas com inteligência brilhante, mas paralisadas pelo ócio improdutivo.

Verdade que a individualidade deve ser respeitada. Temos o direito de ser seletivos. Mas o traço segue sendo formado. E, secretamente, cada um de nós acalenta o desejo de que ele seja largo e profundo.

Por vezes ele é, desafortunadamente, um traço breve. Noutras, é serenamente longo.

E quando a distância que separa as duas extremidades é percorrida com celeridade e profundidade, o traço pode até ser breve, mas certamente será, como bem disse o poeta Ronaldo Cunha Lima, largo.

Portanto, preencha seu traço com sabedoria e experiências engrandecedoras. Não está em nosso poder decidir se ele será breve ou longo. Mas certamente está em nossas mãos, mente e coração dimensionar sua largura.

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