São duas campanhas paralelas e integradas: uma conduzida pelo candidato a governador, Cássio Cunha Lima, que cobre todo o Estado, e outra sob a liderança de seu vice, Ruy Carneiro, concentrada na Grande João Pessoa, onde estão quase 28% dos eleitores. A estratégia objetiva garantir uma vitória na Capital, onde o tucano nunca ganhou, seja nas duas eleições que disputou para governador, ou na de senador, em 2010.
A estratégia responde a aliança que uniu as forças políticas no Governo do Estado e na Prefeitura de João Pessoa em torno das candidaturas de Ricardo Coutinho (PSB) e de Lucélio Cartaxo (PT), irmão do prefeito Luciano Cartaxo, que tem 25 dos 27 vereadores da Capital e arrastou a maioria para esse projeto.
Juntos, empregam só nas administrações diretas, 135.492 eleitores. Só a Prefeitura tem 21.641 na sua folha, sendo que 12.813 foram contratados sem concurso e custam mensalmente R$ 15,872 milhões (11.849 são ‘serviços prestados’ e 964 ‘comissionados’). Esses, sem estabilidade, poderiam virar soldados da campanha para garantir seus empregos. E ainda contam com os militantes dos dois partidos.
O fato de ser um campinense (Cássio) contra um pessoense (Ricardo Coutinho), torna o desafio mais interessante nos 12 municípios da região metropolitana – Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, Lu- cena, Rio Tinto, Alhandra, Pitimbu, Caaporã e Pedras de Fogo -, mas especialmente na cidade de João Pessoa, com seus 464.139 eleitores, ou16,367% do total do Estado.
Ruy Carneiro tem um importante aliado nessa ofensiva tucana: o ex-prefeito Luciano Agra, que na eleição de 2012, como inimigo de Ricardo Coutinho, foi o grande apoiador de Luciano Cartaxo. Agora, em campos opostos, disputam palmo a palmo os votos pessoenses para seus candidatos.
Nesse final de semana, enquanto Cássio fazia carreata de Arara a Campina, Ruy Carneiro visitou feiras, promoveu arrastões e comandou carreatas no Litoral. Já PSB e PT sabem que precisam de uma boa vantagem na Grande João Pessoa para garantir suas chances de vitória no Estado. Têm ciência de que não podem contar com Campina. Não vão entregar fácil a Capital. Se a campanha já está interessante, vai ficar mais ainda.