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Or?amento

Virada de ano é tempo de fazer balanço financeiro individual e projetar o orçamento para 2016.

Não estou, com esta recomendação (que aplico de forma sistemática), querendo tolher a liberdade ou prazer de viver de cada um.

Apenas defendo que, tendo receitas próprias ou assalariadas, obrigatoriamente temos limites.

E transpô-los atrai, para si, a catástrofe financeira.

Não tenho dúvida: o destino de qualquer pessoa que não se comporta dentro de uma filosofia orçamentária é o desequilíbrio. E pode apostar: ele virá em algum momento.

Já assisti muitos grupos familiares irem à insolvência em função de não praticarem o equilíbrio financeiro.

Como se evita isso?

Estabelecendo os limites das gastanças.

Sei que não é um exercício fácil. Quando você se limita, abre mão de muito. Até de sonhos.

Mas também da ruína.

Se não cabe no orçamento, você limita as viagens, as trocas de carros, as doações e ajudas, os desejos de consumo e até a qualidade de vida. Uma lei da física ensina que o conteúdo não pode ser maior que o continente. Os gastos – conteúdo – ou se limitam ao tamanho das receitas – continente – ou explodem o conjunto.

A família tem que ter consciência plena de que cada ser humano, individualmente, é um governo. E tem que se comportar em relação ao seu orçamento. Tê-lo e respeitá-lo é indispensável.

Não sem razão, o que se assiste no micro vai ao macro.

E é por isso que nosso macro vai tão mal.

Nem vou descer ao mérito do gasto – se era necessário, humanitário ou não. Pois a regra é clara: não se pode gastar mais do que se arrecada. Não se pode torrar mais do que se lucra.

O governo ignorou a regra, burlou o esquema do jogo e – do micro ao macro – colhe essa péssima semeadura.

Não se pode sequer jogar a culpa na imprevisibilidade. As “surpresas” também têm que estar contidas no orçamento – naquela parte destinada às reservas de caixa para as eventualidades.

A quebradeira que se assiste a partir do Planalto, atingindo por tabela os estados e provocando caos nos municípios – elo mais frágil dessa cadeia – chega às nossas mesas.

E isso tudo se deve a indisciplina financeira. Como começar 2016 mantendo os mesmos níveis de despesas?

Aparentemente, é isto o que o macro pretende fazer – mantendo todas as farras e suplementando as receitas com empréstimos, aumentando os tributos e até acessando reservas indevidas.

Talvez seja a hora do micro dar exemplo ao macro. Se eles insistem em se pendurar nos bancos internacionais para tapar os rombos, nós temos que largar a bengala dos cartões de crédito e dos consignados – gastando com prudência sem jamais esquecer dos limites.

No mais, podem me chamar de mão de vaca – isso soa aos meus ouvidos como um tremendo, e muito bem vindo, elogio.

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