Com um programa eclético que contempla diferentes épocas e estilos, a Orquestra Sinfônica da Paraíba realiza, nesta quinta-feira (30), mais um concerto oficial da Temporada 2015. O repertório traz uma trilogia jobiniana com arranjos de Wellington das Mercês, uma peça para piano de Maurice Ravel para a mão esquerda e obra do russo Vasily S. Kalinnikov. A apresentação tem como solista Antônio Vaz Lemes ao piano e a regência fica sob a batuta do maestro Luiz Carlos Durier. A apresentação começa às 20h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural José Lins do Rego. A entrada é gratuita.
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O concerto começa com a “Bossanovística”, de Wellington das Mercês, trazendo uma trilogia jobiniana com arranjo escrito em 2006, baseada em grandes sucessos como “Dindi”, “Falando de Amor” e “Insensatez”. O arranjo tem início levemente impressionista, com o toque sutil do vibrafone, seguido das flautas e violinos. A primeira das três músicas é ouvida com alternância da melodia, entre madeiras e cordas, e a repetição do tema ganha força e volume com os metais e cordas juntos. A melodia da segunda música é tocada pelo trombone, acompanhada de contraponto entre flautas e glockenspiegel, seguida pelas flautas e oboés. Já “Insensatez” recebe uma orquestração mais robusta, cheia e intensa, envolvendo todos os naipes da orquestra e, em alguns trechos, determinados naipes recebem um tratamento camerístico.
Na sequência, o pianista Antonio Vaz Lemes vai executar o “Concerto para mão esquerda” de Maurice Ravel (1875 -1937), obra nunca tocada em solo paraibano. O Concerto foi composto quase como um desafio para o eminente pianista austríaco Paul Wittgenstein, que tinha perdido o braço direito num combate durante a Primeira Guerra Mundial e cuja carreira parecia terminada. Contudo, Wittgenstein demonstrou coragem ao não se conformar com o fato e escreveu a vários compositores pedindo-lhes que escrevessem músicas que ele pudesse tocar em tais circunstâncias. Diante do apelo, e cedendo ao seu amor inato pela experimentação e pelo incomum, Ravel ficou fascinado por esta prova técnica e trabalhou para escrever algo que pudesse atender as necessidades do pianista tão gravemente sacrificado. A peça foi executada pela primeira vez em Viena, em 5 de janeiro de 1932, por Paul Wittgenstein, e foi ainda este perseverante pianista quem o apresentou pela primeira vez em Paris, a 17 de janeiro de 1933, sob a regência de Ravel.
A obra escolhida para fechar o concerto é “Sinfonia n. 1 em Sol Menor”, de Vasily S. Kalinnikov (1866 – 1901). A sinfonia anuncia sua nacionalidade desde o momento da sua abertura, com as cordas tocando em uníssono, o que poderia ser uma frase de uma canção popular russa. Os instrumentos de metal respondem de imediato com a música cheia de tensão harmônica. Há choques sônicos dignos de Tchaikovsky, e até mesmo um tratamento do tema inicial em contraponto em forma de fuga.
Após o drama e inquietação deste primeiro movimento, Kalinnikov começa a segunda parte com uma passagem atmosférica ancorada por uma oscilação de duas notas. Ao longo desta figura agora flutua vertentes suaves de melodia, levando em breve a uma ideia mais animada e sensual para o oboé. A música constrói a um clímax central, mas Kalinnikov retorna ao devaneio mágico do início, permitindo o movimento fechar como começou.
O terceiro movimento traz outra mudança de humor efetuada por um scherzo vigoroso com algo do caráter de uma dança russa. Um episódio central, melancólico, ou “trio”, também atinge uma nota folclórica. A sinfonia termina com um final retrospectivo, que começa com uma recordação do primeiro tópico do movimento de abertura e inclui reminiscências de outros temas que têm ido antes. Para este reciclado de ideias, Kalinnikov adiciona novo material, e o movimento leva a um êxtase de conclusão típica das sinfonias na tradição romântica russa.
Serviço: Orquestra Sinfônica da Paraíba – 5º Concerto Oficial da Temporada 2015
Solista: Antonio Vaz Lemes (piano)
Regência: maestro Luiz Carlos Durier
Data: quinta-feira (30)
Hora: 20h30
Local: Sala de Concertos Maestro José Siqueira (Espaço Cultural José Lins do Rego)
Entrada: gratuita