Márcio Leonardo compôs “A festa do Santo Reis” para Tim Maia gravar. Até escutar direito a música, em casa, fora de bares e etc., é que percebi: “hoje é o dia do Santo Reis”. Não tem nada a ver com a data religiosa dos Reis Magos, ou simplesmente Dia de Reis, como popularmente conhecido – comemorado hoje, 6 de janeiro. Até o final dos anos 70 era feriado em todo o Brasil. Depois, acabou.
Aproveito a data para informar que o menino Jesus não foi visitado por Reis Magos, figuras constantes em relatos da Natividade. Chegaram a denominá-los: Belchior, Baltazar e Gaspar. Não há relatos bíblicos com esses nomes. Eles não seriam reis nem necessariamente três (Mateus, único evangelista a citá-los, não especificou quantos eram). Talvez fossem magos, sacerdotes da religião zoroástrica da Mesopotâmia. Talvez citados como três por causa da quantidade dos presentes que levaram: ouro, incenso e mirra. Esses presentes têm uma ressonância bíblica, associada a Salomão e ao Templo de Jerusalém. O incenso vinha da Arábia e não da Mesopotâmia, a possível terra dos magos.
De qualquer maneira, a tradição cristã posterior, vigente até hoje, interpretou ouro como ouro mesmo e, junto com o incenso e a mirra, os presentes foram considerados símbolos da realeza, da divindade e do então futuro sofrimento de Jesus.
Tenho (e os li há cerca de cinco anos) dois livros do húngaro Geza Vermes: “Natividade” e “Quem é quem na época de Jesus”. Sugiro a leitura de ambos a quem se interessar no estudo desse assunto, mesmo não sendo cristão. Professor emérito da Universidade de Oxford, Geza Vermes é considerado um dos maiores especialistas acadêmicos sobre os Manuscritos do Mar Morto e a história do cristianismo.
Ele afirma que alcançando seu objetivo maior (a visita ao menino Jesus), os magos regressaram a seu país, mas obedecendo a um sonho, conforme é habitual em Mateus, escolheram um caminho diferente para sua viagem de volta, evitando Jerusalém e Herodes. Assim, o evangelista encontrou uma forma conveniente de proporcionar um pano de fundo psicológico para o decreto promulgado pelo rei enfurecido, que, segundo a história de Mateus, levou ao massacre de todos os bebês do sexo masculino de Belém, com uma única exceção. Jesus, claro!