Comumente os políticos são avaliados pelo número de propostas, pela quantidade de discursos, pelo volume de investimentos e obras que viabilizaram. Como um bom projeto, do tipo que muda a qualidade de vida dos cidadãos, pode valer por 100 de pouca repercussão, e as obras podem ser necessárias ou não, prefiro considerar os conceitos que construíram, resultado das decisões e do trabalho realizado.
E é a partir desse valor que destaco alguns que não tiveram seus mandatos renovados porque não disputaram ou não superaram a forte concorrência. E farão falta. Também alguns que no processo de tentar, têm contribuído para o aperfeiçoamento da democracia.
Em tempo no qual sobejam infidelidade e egocentrismo, é exemplo a posição do senador Cícero Lucena, que mesmo sacrificado pelo PSDB, que para viabilizar a candidatura de Cássio Cunha Lima ao governo, negoulhe o direto à reeleição, no decisivo do 2º turno subiu no palanque e pediu votos para o campinense. Os laços históricos, partidários e familiares, falaram mais alto.
Cícero praticou a coerência sobre a qual muitos apenas falam, mas é o que garante longevidade na vida pública. Deixará o Senado no dia 31. Como oposicionista, não pode assumir a paternidade de projetos, e ainda teve que enfrentar mais de três dezenas de processos da Operação Confraria, para limpar seu nome, que foi relacionado a licitações fraudulentas. Tem ganhado todos.
O rótulo de coerente também fica bem no deputado Major Fábio, que poderia ter negociado o tempo do PROS e garantindo sua reeleição, mas preferiu manter a palavra dada aos eleitores e ser candidato a governador. Perdeu a eleição, mas ganhou um conceito para o futuro.
Os ex-candidatos ao governo Antonio Radical (PSTU) e Tarcio Teixeira (PSOL) nunca venceram eleições, mas ajudaram nas decisões de votos dos eleitores, enfrentando Cássio e Ricardo nos debates, expondo suas fraquezas, sem preocupação com marketing.
Pela qualidade dos mandatos, os deputado Ruy Carneiro (autor de várias leis para melhorar nosso trânsito e o atendimento na Saúde) e Carlos Batinga (estudioso de soluções para o Cariri e especialista em mobilidade urbana), vão fazer falta.
Esses políticos foram protagonistas em 2014 e mesmo sem mandatos, têm credenciais para continuarem neste 2015.