Assistimos ao longo de 2015 – um ano perdido para o País – todas as consequências desastrosas das eleições de 2014.
Pós eleições, fomos apresentados à situação real da economia – um quadro muito distinto da fraude pintada pelo marketing eleitoral.
Mais da metade da população, que acreditou na propaganda enganosa, votou porque achava que estávamos bem. E acordou para uma triste realidade, marcada pelo retorno da inflação, crescimento do desemprego, déficit orçamentário e encolhimento do PIB.
Ato contínuo vieram os escândalos – numa sequência tão ininterrupta e caudalosa como jamais se viu na história recente da República.
Quem imaginaria que nosso maior patrimônio – a Petrobrás – entraria para os anais policiais como o maior assalto do mundo, transformando o Trem Pagador inglês num roubo risível diante do tupiniquim Petrolão?
Envergonhados, enganados e pilhados, fomos à lona.
De fato, a soma de tantos fatos negativos levou a população a um nocaute político – de onde não temos força nem ânimo para levantar e protestar.
A esta conjuntura, adicione mais um ingrediente: a baixa credibilidade da classe política brasileira.
Este talvez seja, aliás, o responsável maior pela nossa apatia. Afinal, protestar por que? Ou melhor: para quem?
Quem, entre os atores políticos que estão na sequência hierárquica, tem competência, credibilidade e mérito para herdar a nação e recolocá-la nos trilhos?
A verdade – duríssima – é que desse trem desgovernado não escapa ninguém.
Pois nos faltam lideranças inspiradoras – nos falta uma versão brasileira de um Lincoln ou um de Kennedy; um sósia moral de um Churchill ou de uma Margaret Thatcher; nos falta um Gandhi ou um Mandela.
E é por isso que, na boa ventura da fábula se tornar realidade e um gênio da lâmpada me facultar o direito de escolher, sozinho, o próximo presidente do Brasil, só me restaria uma saída:
O direito de ficar calado!
E, intimamente, seguir ruminando um eterno lamentar: para quem?