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Paraíba, que pena!

Convivo intimamente com a Paraíba há quase 50 anos. Cheguei no final da década de 60 e, desde então, sou cúmplice de seu desenvolvimento econômico.

Nunca me arrependi. Tenho plena convicção de que, dentro das circunstâncias brasileiras, fiz a melhor opção.

E sou feliz aqui – numa escala que me permite perceber que, mesmo ante a possibilidade de sucesso diferenciado lá fora, as conquistas não compensariam a felicidade que esta terra me proporciona.

Não se trata, porém, de um amor cego. E nem poderia sê-lo.

Sou empresário e economista, capaz de entender as dificuldades (micros e macros) da economia paraibana.

Sei e convivo, por exemplo, com o constrangimento de cortar e a alegria de ampliar.

E é esta capacidade de enxergar, aliado as experiências acumuladas nas terras Tabajaras, que fundamentam meu lamento em relação ao momento econômico da Paraíba.

Nosso estado atravessa um instante particularmente preocupante – consequência, em primeiro plano, dos desarranjos nacionais.

Mas, principalmente, em função de sua histórica e profunda dependência financeira.

A Paraíba é o sexto estado mais dependente de repasses constitucionais (FPE, FPM) do ranking nacional.

Os fundos correspondem a inacreditáveis 34 por cento das receitas estaduais.

Portanto, quando falta lá, sobra penúria cá.

Mais uma vez estamos de cofres vazios.

Um esvaziamento que compromete nosso desenvolvimento e destrói o lastro para manter os serviços da dívida junto a União.

De pires nas mãos, toalha no chão, solicitamos a repactuação desse débito gigantesco. O prazo máximo era de 30 anos. Esticaram para 50.

E é aí que mora o perigo.

As condições impostas em Brasília para alargar o prazo até podem aliviar o caixa hoje, mas certamente condenam nosso futuro.

Uma dessas condições é a suspensão da concessão de incentivos fiscais – um dos motivos que me trouxe até aqui. Eu e muitos outros empreendedores.

Eles representam, sem dúvida, um trunfo estratégico na atração de investimentos. Na sua ausência, o Nordeste se recolherá a sua baixa competitividade. E imaginar cenário diferente é jogar no lixo a legitimidade da obra de Celso Furtado.

Também entram no pacote de imposições o estancamento de nomeações e o congelamento de salários.

O dano já começa, portanto, no presente. E é imensurável em relação ao futuro.

Entre a crise de hoje e a que se projeta para o amanhã, só nos resta lamentar:

Paraíba pequena; paraíba, que pena!

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