O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começa a enfrentar uma representação que pode levar a cassação do seu mandato na próxima semana em razão das denúncias de que o peemedebista, sua mulher e filha têm contas na Suíça que não foram declaradas. O processo que acontece no Conselho de Ética da Câmara escolherá o relator a partir de lista tríplice sorteada entre os 21 integrantes do conselho, que inclui o deputado federal paraibano Wellington Roberto (PR).
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De acordo com o jornal ‘O Globo’, o deputado é um dos mais cotados para assumir a relatoria e também um dos preferidos de Cunha, por ser ligado a ele. Ainda segundo o jornal, nos últimos dias, Weelington Roberto tem tido seguidas conversas com o líder do PSC, André Moura (SE), da linha de frente de Cunha.
O presidente da Câmara será notificado pelo Conselho de Ética nesta quinta-feira (29), para apresentar sua defesa na representação que começa a tramitar a partir da próxima semana no colegiado. No início da tarde de hoje (28), o documento numerado pela Mesa Diretora da Casa foi entregue ao colegiado. O peemedebista terá dez dias para organizar argumentos e tentar evitar que o processo resulte na cassação de seu mandato como deputado.
O pedido de abertura do processo foi assinado por cerca de 50 parlamentares de sete partidos (PSOL, Rede, PT, PSB, PROS, PPS e PMDB), que defendem o afastamento de Cunha. As contas na Suíça seriam mantidas com dinheiro originado do pagamento de propina em contratos da Petrobras, investigados na Operação Lava Jato.
Em até 90 dias, o processo deve ser concluído. O relator vai ouvir testemunhas, entidades e bancos que possam esclarecer dúvidas. O presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), que tem garantido isenção no processo, disse que o parecer pode ser concluído ainda este ano, “dependendo do relator”.
Além das contas no exterior, Cunha também é denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Procuradoria Geral da República.