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Paraibanos se adaptam em busca de trabalho, após pico da pandemia da Covid-19

Pandemia da Covid-19 exigiu novas ideias e métodos de trabalho para as empresas e seus empregados. Para além disso, muitas pessoas precisaram se reinventar para que pudessem se inserir no mercado
Covid-19
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A pandemia da Covid-19 exigiu que as pessoas se adaptassem, se capacitassem e se configurassem a novos modelos de trabalho. Muitas delas, por exemplo, nunca tinham nem vivido a experiência de trabalhar em casa, no agora recorrido home office. Mas a necessidade de se manter no mercado de trabalho, ou de se reintroduzir dentro dele, foi maior e acabou sendo também um convite a novas experiências.

Um dos pontos mais notados fica por conta da flexibilidade que essa adaptação oferece. O home office é um exemplo de necessidade em meio a esse período. O trabalho remoto segue forte, mas, aos poucos, já evolui também para o anywhere office, que permite que os profissionais trabalhem em qualquer lugar, quando bem precisar.

Ainda por meio do home office, as pessoas têm tido a oportunidade de trabalhar para empresas internacionais, com sede no exterior, sem sair de casa. Tudo isso ocorre por conta de uma mão de obra que entrou no mapa das empresas estrangeiras, somadas à diminuição das fronteiras de atuação e do consequente aumento de possibilidades.

‘Cultura empreendedora’ na Paraíba

O crescimento de pequenos e microempreendedores têm sido uma tendência cada vez mais crescente após o pico pandêmico. Na Paraíba, esses modelos ganharam força após a regulamentação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas de 2006, após a simplificação tributária e também por conta dos avanços nos processos de abertura de empresas contribuíram significativamente para incentivar e manter negócios em funcionamento. 

Com a institucionalização do Microempreendedor Individual (MEI), esses empreendimentos ganharam ainda mais estabilidade, como explica Bera Wilson, analista técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Essa característica reflete a cultura empreendedora dos brasileiros, que buscam oportunidades e fontes alternativas de renda, especialmente em tempos desafiadores. Com a população em idade produtiva em expansão e uma expectativa de vida crescente, observamos um expressivo volume de pessoas engajadas no empreendedorismo, seja por necessidade ou por identificar oportunidades de mercado”, disse.

Com as incertezas que a pandemia da Covid-19 deixou como lição, a unidade do Sebrae, na Paraíba, tem desenvolvido trilhas de cursos à distância, que têm sido bastante procuradas. As capacitações em formato híbrido (seja presencial ou online) também são opções para o público, como forma de aprendizado e atualização. 

O Sebrae registrou a geração de 8.891 vagas formais de trabalho, em 2023, somente no primeiro semestre. Os setores de serviço, comércio, seguido pela construção são os responsáveis pelo maior número de contratações no período de janeiro a junho, com destaque. Desse número, as médias e pequenas empresas foram responsáveis por gerar 4.501 oportunidades nos serviços, seguido pela construção, com 2.485, e pelo comércio, com 2.222. Já no setor da indústria e transformação houve queda de 136 postos no período.

Casal passou por todas as etapas da pandemia

Murilo Santana, de 34 anos, e Maria Emiliane, de 25, passaram por um processo que exigiu perseverança. É que, em meio às mudanças que visavam melhoria e qualidade vida, em maio de 2020, chegou a pandemia e, com ela, o decreto de calamidade pública na Paraíba e no Brasil.

A decisão, então, foi de aproveitar o trabalho sustentável que faziam na produção de painéis com madeira reutilizada de paletes. Foi aí que apareceram clientes, que deram oportunidade para que eles pudessem se encontrar nesse ramo.

Maria e Murilo encararam a missão de um novo trabalho em meio à pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a paixão e o apego das pessoas pelas plantas, eles decidiram unir o útil ao agradável — e bonito. Eles se capacitaram através de cursos gratuitos na internet e através de livros que estavam disponíveis. E tudo aconteceu. Os resultados apareceram e moveram a paixão do casal por esse ramo.

“Produzir o amor me proporcionou viver com a natureza. Nosso trabalho hoje é referência de qualidade e já fornecemos para lojistas”, explicou Murilo.

O casal, hoje, é especialista em substratos, desenvolve materiais para plantas em geral e supre a necessidade da sustentação até a drenagem de solo e nutrição de todas elas. É um exemplo e tanto de que a capacitação, mesmo em meio a um caos vivido na saúde mundial, sempre oferece bons resultados.

Federação aponta ampliação de oportunidades

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Paraíba (Fecomércio) tem se posicionado de forma otimista com os números filtrados após o processo pandêmico. 

Usando os dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, a Fecomércio aponta que, tomando como base o mês de junho de 2022 (quando foram gerados 447.145 na Paraíba, ainda em meio ao processo de emergência de saúde pública) para junho deste ano, o estado gerou 12 mil empregos a mais, em 2023. 

A entidade também apontou que o setor de comércio, serviços e turismo estão em alta, sendo responsáveis por cerca de 70% dos totais de vagas de emprego na Paraíba. 

Algumas áreas que ganharam mais evidência na pandemia

  • SERVIÇOS DE DELIVERY E LOGÍSTICA

Delivery e logística são setores que tiveram impulsos consideráveis. É que, com as entregas de alimentos e também das compras online, as pessoas passaram a se adaptar muito mais a esse modelo, fazendo muitas empresas repensarem suas entregas e cadeias de suprimentos. A expectativa é que essa demanda siga crescendo conforme a extensão do comércio eletrônico.

  • SETOR FARMACÊUTICO

As farmácias e outros negócios do ramo da saúde cresceram bastante durante o período pandêmico. Essa evidência aconteceu não só por se tratar de um serviço essencial, mas também porque a busca por álcool gel e equipamentos de proteção individual aumentou. 

  • TECNOLOGIA

O setor de tecnologia teve crescimento expressivo em meio à pandemia, mas segue crescente, mesmo após o processo emergencial da Covid-19. Só em 2020, o crescimento foi mais de 670% em todo o Brasil. Hoje, o processo de informatização de vários serviços segue sendo reflexo de oportunidades no mercado de trabalho, sendo também uma das líderes nos números de vagas voltadas aos profissionais recém-formados. 

Serviços de delivery tem crescido cada vez mais no país (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil)

É importante lembrar que o fim da emergência de saúde pública para a Covid-19, que foi decretado pela Organização Mundial de Saúde, no dia 5 de maio deste ano, não implica no término da pandemia do novo coronavírus.

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