Perseverar

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recentemente fui a uma loja de brinquedos em João Pessoa, procurando algo para presentear meus netos. É um estabelecimento com estoque sortido, onde se pode encontrar produtos que encantam a garotada. Uma surpresa, porém, me aguardava: a loja está em contagem regressiva para fechar suas portas.

Surpresa análoga e desagradável me recepcionou em outra loja, onde havia ido comprar móveis

E se repetiu em uma delicatessen local, também em processo de fechamento.

Confesso: mesmo para este par de olhos acostumados a testemunhar tantos solavancos, em mais de 50 anos acompanhando a gangorra econômica brasileira, a sequência de mortes empresariais que vitimam empreendimentos na nossa capital me assustou.

A cidade se transformou em um cemitério de investimentos. Por toda parte é possível testemunhar placas anunciando fechamentos, encerramento de projetos, epílogo de sonhos.

Sei que o fenômeno é consequência do momento de instabilidade econômica. Mas sei, também, que desistir (deletar um sonho) é sempre a opção mais confortável diante dos obstáculos.

E fico realmente triste com a pouca capacidade de resistir de alguns de nossos empreendedores. Especialmente porque entendo que fechar a porta de um estabelecimento não significa apenas encerrar um negócio.

É muito mais do que isso.

É, em primeiro plano, dizer não a uma vocação natural. Pois foi esse talento nato que conduziu cada um de nós até aqui, para esta aventura imprescindível a nação.

Estas últimas cinco décadas dedicadas à seara empresarial – nem sempre colhendo sucessos – me impulsiona neste momento a um apelo:

Não fechem seus negócios.

Resistam.

A palavra é perseverar.

Sim, perseverar – que é um degrau acima da perseverança.

Na verdade, trata-se de uma flexão pragmática. Ou seja: perseverar é praticar a perseverança, colocar a obstinação em ação, ter firmeza e aturar, de forma continuada, uma situação adversa.

Dou meu testemunho pessoal de que muitos negócios fechados durante a crise acabam gerando arrependimento profundo mais adiante – pois certamente teriam, na resistência, experimentado alavancagens futuras.

Acreditem: praticar a perseverança pode parecer penoso agora. Mas estejam certos: refazer sonhos defeitos dá muito mais trabalho.

Ademais, vencer uma guerra é sempre mais saboroso do que iniciar uma nova contenda, em tempos de paz.

Portanto, perseverem.

Seja qual for seu tamanho, fique de pé.

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