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Plataformas da PB ajudam crianças com déficits de aprendizagem e deficientes

A educação é um bem fundamental a qualquer ser humano, porém o acesso a ela não é tão simples como deveria ser. Obstáculos surgem no caminho de todo mundo, mas para algumas pessoas é mais difícil superá-los, seja por algum distúrbio que dificulte aprendizagem, deficiência física ou condições sócio-econômicas que impedem contato até mesmo com a alfabetização.

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Foi pensando em ajudar esses grupos de pessoas que os empreendedores Glenny Gurgel e Anderson Teixeira criaram as plataformas ‘Sinapse nas Escolas’ e ‘Ditango’. As duas iniciativas são de startups apoiadas pela Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, com sede em Campina Grande. Por enquanto, as plataformas só existem em versões gratuitas, mas os desenvolvedores estudam melhorias e lançamento de modelos com novos recursos para comercialização.

Sinapse nas Escolas

A ferramenta, idealizada pelo neuropediatra Glenny Gurgel, ajuda na identificação e correção de déficits cognitivos e pedagógicos que causam dificuldades de aprendizagem em crianças do Ensino Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental. A análise é possível devido aos mais de 50 aplicativos desenvolvidos para testar as habilidades do aluno.

Por meio de jogos, a criança é avaliada em competências em português, matemática, raciocínio lógico, atenção e memória. A partir dos resultados obtidos nos testes, os professores são orientados em como realizar um planejamento individualizado e específico para atender às demandas do estudante. Ao todo, 12 profissionais das áreas de educação, neurociência e tecnologia trabalham nessa avaliação.

Glenny Gurgel atende em um consultório particular, mas também no Hospital Universitário Alcides Carneiro, em Campina Grande. Ao perceber a enorme diferença entre o desenvolvimento de crianças cujos pais tem condições financeiras de oferecer um tratamento adequado e de pacientes com poucos recursos, ele decidiu criar a plataforma Sinapse nas Escolas.

“Foi com a prática diária que eu percebi que as crianças mais humildes não contavam com suporte de outros profissionais. Eu como médico, sozinho, pouco podia fazer por eles. Por isso senti necessidade de buscar uma solução. Tornar esse processo de aprendizagem mais democrático e fazer com que mais crianças tivessem chance de se desenvolver. Deixar essas possibilidades apenas para pacientes com pais de maior poder aquisitivo seria injusto e um desperdício de talentos”, observa.

Ainda conforme o neuropediatra, o acompanhamento de crianças com dificuldade de aprendizagem precisa envolver multiprofissionais e gera altos custos. “Podemos estimar um investimento mensal de, no mínimo, R$ 1.200, o que é inacessível para grande parte da população. A Sinapse nas Escolas surgiu justamente para ajudar a derrubar essas barreiras que impedem o aprendizado”, completa Gurgel.

Plataforma gera relatório sobre competências das crianças

Foto: Plataforma gera relatório sobre competências das crianças
Créditos: Divulgação

“O projeto visa também ao empoderamento de professores. O objetivo é fazer com que eles, que já eram fundamentais na estimulação pedagógica, agora participem também do desenvolvimento de habilidades cognitivas das crianças. Os professores são peças fundamentais nesse processo”, ressalta.

Dezessete escolas já aderiram à plataforma, sendo três delas do Rio Grande do Norte. Na Paraíba, utilizam a Sinapse nas Escolas instituições de Campina Grande e outros municípios do interior.

Apoio

No fim de 2015, o Sinapse nas Escolas foi uma das oito iniciativas brasileiras selecionadas no Programa de Promoção de Economia Criativa, promovido pela Samsung, em parceria com a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Mais de 100 empresas participaram da seleção. Cada uma das escolhidas recebeu R$ 140 mil para investimentos, além de um espaço físico, mentoria e treinamento focado na criação de empreendimentos inspirado em modelo implantado pelo Centro de Economia Criativa e Inovação (CCEI Daegu), da Coreia do Sul. No caso da Sinapse nas Escolas, o trabalho acontece na Incubadora Tecnológica de Campina Grande (ITCG).

Jogos testam competências como memória, atenção e raciocínio lógico

Foto: Jogos testam competências como memória, atenção e raciocínio lógico
Créditos: Divulgação

Ditango

Outra iniciativa que promete ajudar bastante no acesso à educação e difusão do conhecimento é a Ditango, plataforma que converte documentos de texto em áudio. A leitura é feita em mais de 40 idiomas. Segundo o idealizador da plataforma, Anderson Teixeira, a Ditango surgiu a partir de uma necessidade particular, mas também tem um forte aspecto de inclusão social.

“Eu gosto muito de caminhar na praia, mas, às vezes, por falta de tempo disponível, tinha que escolher entre essa atividade e algumas leituras pendentes. Foi aí que veio a ideia de criar um conversor de texto em áudio, que levaria a leitura para praticamente todos os ambientes, além de ajudar deficientes visuais, além de pessoas que não sabem ler”, conta. 

Aplicativo converte texto em áudio e facilita acesso à leitura

Foto: Aplicativo converte texto em áudio e facilita acesso à leitura
Créditos: Divulgação 

Uma das pessoas que podem ser beneficiadas pela plataforma é o estudante de Direito Robson Santos, de 31 anos. Ele perdeu completamente a visão aos 15 e diz que desde então encontrou muita dificuldade para ter acesso à leitura.

“Essa plataforma significa um avanço tremendo e torna a vida do deficiente visual mais tranquila no que diz respeito ao acesso à leitura. Até porque o braile não é um sistema fácil de lidar e isso coloca muitos obstáculos no nosso caminho. Os programas de voz sintetizada dos computadores são bem ruins em alguns momentos, então essa plataforma aparece como uma boa alternativa”, comemora. 

Gráfico mostra como usar o aplicativo Ditango

Foto: Gráfico mostra como usar o aplicativo Ditango
Créditos: Divulgação 

Para ter acesso ao Ditango, basta acessar o site do projeto e solicitar um convite para cadastro. Da idealização ao lançamento da plataforma se passaram apenas cerca de um ano e meio. Anderson Teixeira espera que a plataforma feche 2016 com pelo menos 20 mil usuários. 

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