Pelo andar da carruagem, a eleição do segundo turno caminha, inevitavelmente, para o viés plebiscitário. Os discursos e abordagens dos candidatos governistas e da oposição, nos níveis nacional e estadual, derivaram no conteúdo e tônica para a simplificação do debate.
Na sucessão presidencial, o candidato tucano Aécio Neves despeja toda sua capacidade retórica na propagação da ‘mudança’ como elemento-chave à disposição do eleitor para oxigenar o poder e livrar a máquina pública brasileira dos vícios gerados pela longa permanência do PT no governo.
A campanha petista reconhece a necessidade de avanços e mudanças em políticas públicas, mas sustenta como imperiosa a manutenção e recondução do atual governo sob pena de o País correr o risco de ver ameaçadas as conquistas do legado de doze anos da dupla Dilma e Lula.
Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho aposta tudo no saldo administrativo e no comparativo de gestões para pedir mais quatro anos aos paraibanos. Credita ao desempenho da sua gestão o certificado que precisa para continuar administrando o Estado e exorta o eleitor a não “voltar ao passado”.
Em contrapartida, o senador Cássio Cunha Lima – que saiu na frente no primeiro turno – mantém a estratégia da desconstrução da gestão socialista, especialmente, nas áreas de saúde e segurança. Nos comícios e entrevistas, faz questão de perguntar: “Piorou ou melhorou”? Nas redes sociais, a campanha tucana elenca dados e ações negativas do governo e convoca o cidadão a decidir: manter ou mudar?
No Planalto e na planície paraibana, o tom radicaliza nessa linha do “sim” ou “não”, – ambiente que deve instigar o universo escondido na gigante abstenção do primeiro turno a sair da toca, mostrar a cara e tomar posição nesse segundo turno. O marketing dos candidatos constrói esse cenário plebiscito. A palavra final, porém, é do eleitor.