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Plugado

Quem planta colhe, diz o provérbio popular. E a colheita será, obviamente, de acordo com a semeadura.

Minhas sementes foram lançadas há quase quatro anos.

Exatamente no dia 20 de outubro de 2010 – data em que oficializei a apresentação do Projeto de Lei (PLS 255/2010) que concede isenção de impostos de importação para os chamados “carros verdes”.

O projeto de lei culminava uma ação iniciada com minha escalação para relatar outra propositura (PLS 656, de 2007), que previa a liberação de veículos de passeio movidos a diesel no mercado brasileiro.

Rejeitei, claro.

Além de incentivar a queima de combustível fóssil, essa era uma medida que repercutiria negativamente até na Balança Comercial, posto que o País importa o diesel.

Concomitantemente, editei estudo – intitulado Estratégias de Propulsão de Veículos no Brasil – onde apresentava opções de tração veicular do futuro e estimulava o debate em torno dos incentivos que poderiam ser criados para viabilizar o desenvolvimento dessas novas modalidades.

Estava ali preparado o terreno – fecundo – para a apresentação do meu projeto, que brotou como emenda substitutiva.

E os frutos estão, finalmente, no ponto de colheita.

O Governo Federal, enfim, ouviu um modesto suplente de senador, em sua primeira e única experiência política, dedicado a honrar cada dia passado sob o teto da mais alta corte legislativa do País.

Sou do time que se constrange com autoelogios, mas me permita vaticinar que, mesmo sem a “cancha” dos que são talhados para o exercício político (e certamente carente de experiências neste metiê), gosto de pensar que fui um senador plugado com a seara econômica.

E este plug-in deu resultados.

A Câmara de Comércio Exterior liberou semana passada os primeiros incentivos à montagem nacional de veículos com propulsão alternativa. O sinal verde veio com o corte do imposto de importação dos carros híbridos – modelos que combinam tecnologias de um motor tradicional a combustão interna com outro elétrico.

Na época em que apresentei o projeto, frisei que não se pode renunciar ao que não se tem. E o País não estaria abrindo mão de receitas porque, efetivamente, o Brasil não tem produção de veículos híbridos ou movidos à tração elétrica.

O mercado, por sua vez, é de uma modéstia irrisória. Entre janeiro e agosto deste ano, apenas 550 automóveis com tecnologia híbrida foram comercializados no País.

O objetivo do projeto é, justamente, alterar este quadro – estimulando a produção e a comercialização desses produtos.

E a decisão da Câmara de Comércio Exterior deu passo significativo nesta direção.

Ficou estabelecido que os fabricantes que montarem seus modelos no Brasil estarão isentos de pagar 35% da alíquota do imposto de importação. O percentual irá variar de acordo com a eficiência dos veículos.

Além de colocar em circulação uma frota com baixo impacto poluente, o Governo espera viabilizar a qualificação da mão de obra e incentivar o desenvolvimento de engenharia.

São bons motivos.

Ao persegui-los, o País sinaliza claramente o futuro da indústria automotiva que interessa aos brasileiros.

Este brasileiro aqui agradece.

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