João Pessoa, 18 de agosto de 2026
Chiquinho Brazão perde o mandato por faltas, não por Marielle
25 de abril de 2025 14:33
Victor Paiva Mario Agra/Câmara

A perda do mandato do deputado Chiquinho Brazão, oficializada nesta quinta-feira (24) pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, é emblemática, mas não pelo motivo que deveria ser. O parlamentar, preso desde março de 2024 sob a gravíssima acusação de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi cassado formalmente não por essa suspeita que abala os pilares democráticos, mas por “faltas não justificadas” às sessões legislativas.

Sim, faltas.

A ironia escancara um problema estrutural da política brasileira, o apego quase burocrático às formalidades, mesmo diante de casos que exigiriam uma resposta mais firme, simbólica e moral. O processo contra Brazão tramitou lentamente no Conselho de Ética e, apesar da aprovação da perda do mandato em agosto de 2024, a decisão final nunca chegou a ser analisada pelo Plenário. A Câmara, portanto, encerra esse capítulo com uma decisão fria, quase tímida, como se o peso da suspeita que paira sobre o ex-deputado não merecesse destaque.

A cassação por faltas pode até ser juridicamente defensável, mas politicamente é insuficiente.

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