A negociação entre PSDB e Republicanos para uma fusão enfrenta um obstáculo central: a resistência à mudança de nome das legendas. Os presidentes nacionais dos partidos, Marcos Pereira (Republicanos) e Marconi Perillo (PSDB), confirmaram ao jornal O Globo que as conversas estão em andamento, mas ambos rejeitam abrir mão da identidade de suas siglas.
“Estamos conversando com Podemos, Republicanos e Solidariedade. Não abriria mão (do nome PSDB)”, afirmou Perillo, reforçando a posição de setores tucanos.
Dentro do PSDB, a extinção da sigla gera forte resistência. Como alternativa, discute-se uma fusão com o Podemos ou uma federação com o Solidariedade, legendas menores que poderiam aceitar mais concessões.
Nos bastidores, articuladores do Podemos demonstram otimismo. A presidente do partido, Renata Abreu, já liderou incorporações bem-sucedidas do PHS e PSC, e vê na aliança com o PSDB uma oportunidade de ampliar sua influência. Esse movimento fortaleceria um possível projeto presidencial do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).
A fusião com o Republicanos enfrenta outro obstáculo: a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos principais nomes do bolsonarismo. O partido aguarda a definição de Jair Bolsonaro sobre o futuro político da direita, o que torna a aliança com os tucanos mais complexa.
Em Minas Gerais, a união também pode gerar disputas internas. O ex-governador Aécio Neves (PSDB) mira uma vaga no Senado em 2026, mas poderia enfrentar a concorrência do presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, que tem aspirações semelhantes. Aliados de Aécio, porém, minimizam a questão.
As negociações devem se intensificar nas próximas semanas. O desfecho é aguardado até abril, quando as articulações para as eleições de 2026 começam a tomar forma.