Nove anos depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o Brasil ainda vive sob os reflexos políticos e institucionais daquele processo. Mais do que interromper o primeiro ciclo de poder do PT iniciado em 2003, o afastamento da primeira mulher a presidir o país inaugurou uma década de polarização radical, rearranjos partidários e instabilidade que ainda moldam a vida política em 2025.
A Paraíba teve papel direto e destacado nesse episódio. Coube ao senador Raimundo Lira (PMDB) a presidência da Comissão Especial do Impeachment no Senado, conduzindo as etapas iniciais que resultaram no afastamento da petista. Em entrevista na época, Lira fez um balanço dos trabalhos e ressaltou a importância da condução técnica e regimental da comissão.
Na votação decisiva em plenário, os três senadores paraibanos votaram a favor do impedimento. Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB) e o próprio Raimundo Lira. A posição unânime da bancada paraibana marcou a participação do estado em um dos momentos mais controversos da história recente do país.

O impeachment alterou a correlação de forças no Congresso, abriu caminho para a ascensão da “extrema direita”, projetou Jair Bolsonaro da condição de deputado do baixo clero à Presidência em 2018, compôs o pano de fundo da volta de Lula em 2022 e desembocou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Mais do que um episódio encerrado, 2016 foi o gatilho de uma década turbulenta, em que a Paraíba também deixou sua marca.