O Supremo Tribunal Federal se prepara para um dos momentos mais marcantes da política recente no Brasil. A expectativa entre ministros é que o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, seja transferido para o regime fechado até dezembro. Há também a possibilidade de que isso aconteça antes, em outubro ou novembro, a depender da velocidade de análise dos recursos apresentados pela defesa.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A decisão apontou que ele não apenas incentivou, mas liderou um movimento para permanecer no poder de forma ilegal. Do total da pena, 24 anos e nove meses são de reclusão e o restante de detenção. Para além do aspecto jurídico, a condenação tem um peso simbólico por responsabilizar um ex-presidente por atentar contra a democracia.
O processo segue o ritmo da burocracia judicial. Primeiro é necessário que seja publicado o acórdão com os votos e a decisão final, o que pode levar até 35 dias. Depois a defesa terá cinco dias para apresentar embargos e a Procuradoria-Geral da República outros cinco para responder. Somente após essas etapas o recurso será julgado. Os embargos dificilmente modificam o resultado e costumam servir para esclarecer pontos específicos ou ganhar tempo.
A dimensão política é inevitável. Se a prisão em regime fechado ocorrer apenas em dezembro, os efeitos sobre a reorganização da oposição e do PL podem se prolongar até 2026. Caso aconteça antes, o impacto no tabuleiro político será imediato e exigirá que novas lideranças assumam o protagonismo.
Esse desfecho marcará não apenas o fim de um processo judicial, mas também uma virada de página na história política brasileira.