O clima na Câmara e no Senado esquentou nesta quarta-feira (19) com trocas de acusações entre governo e oposição, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 33 pessoas por um suposto plano de golpe de Estado. Segundo a denúncia, apresentada na terça-feira (18), o grupo teria articulado medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.
De acordo com a PGR, Bolsonaro e seu então candidato a vice-presidente, o general Walter Braga Netto, lideravam uma organização criminosa que buscava atentar contra a democracia e a independência dos poderes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que ambos “aceitaram, estimularam e realizaram atos tipificados na legislação penal de atentado contra o bem jurídico da existência e independência dos poderes e do Estado de Direito democrático”.
A denúncia sugere que a conspiração teve início em 2021, após a anulação das condenações de Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que o recolocou na disputa eleitoral. Entre as acusações mais graves, está a alegação de que Bolsonaro tinha conhecimento de um suposto plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Enquanto a defesa de Bolsonaro e dos demais investigados nega qualquer envolvimento nos crimes apontados, a oposição intensificou o discurso de perseguição política. Nas redes sociais, Bolsonaro ironizou a acusação de plano de assassinato e classificou as denúncias como “vagas” e “fabricadas”. “O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo: todo regime autoritário precisa fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias”, escreveu o ex-presidente.
Por outro lado, o presidente Lula, ao ser questionado sobre o caso por jornalistas, defendeu o direito à ampla defesa, mas afirmou que, se os acusados forem considerados culpados, “terão que pagar pelo erro que cometeram”.
O caso, que já mobiliza o cenário político, promete aprofundar a polarização no Congresso, onde aliados do governo defendem a investigação rigorosa, enquanto parlamentares da oposição denunciam um suposto uso político do Judiciário. A denúncia principal da PGR tem 272 páginas e detalha eventos que, segundo a procuradoria, comprovariam a existência da trama golpista.