Alguns políticos já começaram a se mobilizar sobre a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA) de anular a tramitação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O deputado federal Benjamin Maranhão (SD) falou que vai acionar Maranhão no Conselho de Ética; o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) disse que decisão não tem legitimidade; o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) chamou decisão de “esdrúxula”.
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O vice-líder do SD, Benjamin Maranhão, defendeu que o processo de impeachment foi legal, seguindo todos os ritos estabelecidos pela Justiça e a decisão do presidente só mostra o seu grau de comprometimento com o atual governo.
“Se Eduardo Cunha (então presidente da Câmara, afastado do posto por decisão judicial) não tem legitimidade para ser presidente da Câmara Federal, imagina o deputado Waldir, que também é investigado na Operação Lavo Jato e ainda responde por participação em suposto esquema de fraudes em fundos de pensão municipais. E se não fosse o bastante, não foi eleito como presidente”, comentou.
Ele informou ainda que os líderes na Câmara entrarão com um recurso para derrubar a decisão tomada pelo presidente interino, que passará pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e depois pelo plenário. “Temos o número de deputados mais que suficiente para abrir a sessão e derrubar essa aberração cometida por Waldir”, disse.
Benjamin esclareceu ainda que não tem grau de parentesco com Waldir Maranhão, apesar do mesmo sobrenome.
O senador Cássio Cunha Lima disse que a decisão do presidente da Câmara é absolutamente esdrúxula e invade a competência do Senado. Segundo ele, a Câmara não tem mais instância sobre o processo do impeachment e, portanto, a matéria está preclusa.
“O Senado Federal deve dar sequência ao julgamento, como já estava previsto dentro da sua competência e atribuição constitucional. A verdade é que essa ação nada mais é do que uma chicana, mais uma medida protelatória, mais uma obstrução que os aliados do governo e do próprio Eduardo Cunha praticam para tentar evitar o julgamento, cujo resultado já é reconhecido pelos crimes de responsabilidade que foram praticados pela presidente da República”, afirmou Cássio.
Já o deputado federal Pedro Cunha Lima criticou a decisão do presidente interino da Câmara. “Ele tomou a decisão sem comunicar a ninguém, nem mesmo a Secretaria Geral da Mesa tinha conhecimento do ato. O processo de impeachment seguiu todo o rito legal e essa decisão de Maranhão não tem autoridade alguma. Não passa de um ato teatrológico e de um autoritarismo delirante”, destacou.
O parlamentar tucano lembrou que a decisão foi tomada por uma ampla maioria dos parlamentares e o presidente interino não poderia nunca de forma unilateral acolher um pedido feito pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. De acordo com Pedro, a sessão foi legítima observado rigorosamente o rito pelo Supremo Tribunal e disse acreditar que essa ação não irá atrapalhar o rito do impeachment.
“Já me posiciono desde o ano passado contra Eduardo Cunha, pela sua saída da presidência da Câmara. Diferente do que tentaram fazer, acredito que não podemos confundir o pedido de impeachment com esse processo de corrupção. Corrupção não se compara se pune”, declarou Pedro Cunha Lima, referindo-se ao que tentam fazer os militantes do PT, quando desqualificam a legitimidade do processo na Câmara, devido à condição de Eduardo Cunha como presidente.
Veja vídeo com entrevista de Pedro Cunha Lima ao Portal.
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