Há anos, a Finlândia é considerado o país com a melhor educação do mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base nos dados dos principais testes internacionais que medem a qualidade de ensino no mundo: Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e Ciência (Timms) e avaliações do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura (Pirls).
Referência mundial no tema, o país atrai atenção de diversas nações que tentam adaptar sua metodologia de ensino. Desde 2017, a Finlândia exporta o modelo de educação através de uma seleção criteriosa de parceiros internacionais.
Mas nem sempre foi assim. Até o final dos anos 1960, a Finlândia sofria com baixos índices de desenvolvimento, o desempenho dos seus estudantes ocupava uma posição pouco privilegiada nos rankings de ensino e a evasão escolar era um grave problema. Foi quando o país decidiu investir na educação como peça-chave para transformação social.
As salas de aula passaram por bruscas mudanças. Os alunos, que até então limitavam-se a ouvir o professor e absorver o que era ensinado, foram estimulados a ter uma participação mais ativa durante as aulas. Na Finlândia, professores e alunos não são apenas níveis hierárquicos, mas ambos são vistos como peças fundamentais na sala de aula e há um intenso estímulo para troca de informações entre todos.
O ‘storytelling’, a arte de contar histórias, também é outra ferramenta importante e não limita-se apenas a contos de fadas. Em diversas matérias a técnica é utilizada para passar o conteúdo para os estudantes. Segundo os especialistas, isso estimula que os alunos absorvam os temas de maneira mais eficiente e também estimula que eles pesquisem de maneira mais espontânea.
As metodologias de ensino continuam sendo atualizadas e levando em consideração o novo perfil de estudante de cada geração. É o caso do Innopeda, desenvolvida pela Turku University, prepara os alunos para a nova economia, caracterizados pelo cenário de incertezas e rápidas mudanças, além do estímulo ao empreendedorismo.
Essas mudanças fizeram com que, em apenas duas décadas, o país colhesse os frutos de uma mudança que vai muito além da sala de aula. A Finlândia hoje está entre os cinco países que mais produzem tecnologia sustentável e, segundo um relatório das Organizações das Nações Unidas (ONU) de 2019, é também o país mais feliz do mundo. Para os finlandeses, a resposta de todas essas conquistas é simples: educação de qualidade.