Como o governador Ricardo Coutinho (PSB), que até pouco tempo provocava seu opositor, Cássio Cunha Lima (PSDB) incitando-o a comparar legados, passou de desafiante a desafiado? E se antes teve segurança para espicaçar o tucano, o que aconteceu que está perdendo a batalha da comunicação?
A guerra de Cássio contra Ricardo começou no primeiro guia, quando usou um ator para afirmar que o que Ricardo Coutinho “fez nesses três anos, não se faz”. A sentença foi pronunciada depois que falou de demissões, perseguições, caos na Saúde, fechamento de 230 escolas, redução do contingente das Polícias Militar e Civil e da necessidade do MP recorrer à Justiça para que as Delegacias funcionem nos fins de semana.
Sem trégua, o programa seguinte mostrou escolas fechadas e os pais das crianças enumerando os prejuízos decorrentes. E no seguinte, focou a Saúde, questionando o número de 980 novos leitos que Ricardo diz ter criado. O tucano exibiu números do Ministério da Saúde que apontam apenas seis leitos a mais que em 2010, e perguntou onde estão os do PSB.
Para completar, aliados de Cássio passaram a reforçar o dito no guia, anunciando provocações ao Ministério Público para que apure se macas do SUS retidas nos hospitais estão nessa conta como novos leitos. O assunto cresceu tanto que o PSB se viu obrigado a divulgar uma nota.
O PSB afirma que a propaganda do PSDB é ‘maldosa’ e garante que o guia de Ricardo divulga apenas realizações que podem ser comprovadas e auditadas. Que entre 2011 e 2014 ampliou a rede hospitalar e com isso aumentou a oferta em 980 novos leitos. Mas não diz onde estão. Declara apenas que não estão incluídos os dos hospitais em conclusão (Picuí, Cacimba de Dentro e Santa Rita, UPA de Princesa Isabel e UTI de Piancó).
O PSB explica a discrepância com os números do Ministério da Saúde, dizendo que só mostram os credenciados pelo SUS e não os que realmente estão disponíveis. E parte para um ataque, embora discreto: diz que o tucano tenta se apropriar de obras do atual governo e cita como exemplos reforma, ampliação e aquisição de equipamentos dos hospitais de Sumé, Monteiro e Belém do Brejo do Cruz, mostrados no guia do PSDB.
Ainda faltam 15 programas no rádio e na TV. Por enquanto,a verdade é que quem acuava, está acuado.