Francisco Izidoro, Asdef
Francisco Izidoro morreu ao sofrer parada cardiorrespiratória, aos 52 anos, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Facebook)

Morre presidente da Asdef; associação encerra atividades

Aos 52 anos, Francisco Izidoro era casado e deixa três filhos, sendo duas crianças e um adolescente. Ele foi servidor da Justiça Federal e estava aposentado

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Morreu na noite dessa sexta-feira (19) o presidente da Associação de Deficientes e Familiares (Asdef), Francisco Izidoro, em João Pessoa. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu às tentativas de reanimação durante atendimento de urgência no Hospital da Unimed. A Asdef encerrou as atividades após problemas financeiros.

A amiga dele e membro da Asdef, Douraci Vieira, disse ao Portal Correio que ele era saudável e ativo, mas estava psicologicamente debilitado porque não conseguia mais administrar a Asdef por falta de recursos. Os problemas se agravaram após a Operação Belerofonte, desencadeada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em 19 de setembro deste ano, investigando supostos esquemas de corrupção na Associação.

Segundo Douraci, ele era inocente, mas passou a ficar deprimido, o que pode ter colaborado com o aparecimento de problemas de saúde. Essa semana, Izidoro começou a apresentar sintomas suspeitos, como desmaios, vômitos e diarreia e chegou a ser atendido na Unimed, mas teve alta após apresentar melhora.

Ela relatou que esteve com ele nessa sexta e depois do encontro, ao chegar a casa onde mora, recebeu a ligação da esposa dele com a informação da morte. “Izidoro morreu de tristeza por causa do que aconteceu nos últimos dias”, afirmou Douraci, extremamente abalada.

O velório ocorre das 12h às 16h deste sábado (20), na funerária Rosa de Saron, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. Depois, o corpo será levado para a cidade de São Mamede, a 283 km da Capital, que é a terra-natal de Izidoro, onde será sepultado neste domingo (21).

Perfil

Segundo a amiga, Izidoro sempre foi ativista e militante que lutava pelos direitos humanos. Esteve engajado com movimentos estudantis, lutava pelas causas humanitárias e fundou a Asdef em 2003, assumindo o compromisso de ajudar pessoas com deficiência. “Eu me uni a ele em 2008 e estávamos juntos nessa luta há 10 anos. A Asdef cresceu, seguiu nessa linha [de ajudar pessoas]. Vamos continuar lutando”, disse Douraci.

Aos 52 anos, Francisco Izidoro era casado e deixa três filhos, sendo duas crianças e um adolescente. Ele foi servidor da Justiça Federal e estava aposentado da função de analista judiciário. Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram.

Asdef

Fundada em 2003, a associação trabalhava pela inclusão e assistência a pessoas com deficiência. No local, nenhum usuário ficava internado. A unidade trabalhava com o desenvolvimento de atividades gratuitas para cerca de 300 pessoas com deficiência por mês e permitiu que elas ganhassem espaço no mercado de trabalho, obtivessem informações sobre direitos e deveres de cidadania e recebessem assistência psicológica e social para viverem com independência.

Conforme Douraci, a Asdef chegou a ter 22 pessoas atuando na instituição, entre funcionários e voluntários, e um escritório em Recife (PE), mas como dependia de doações e começou a ter problemas financeiros graves, reduziu o quadro e fechou a representação na capital pernambucana.

Douraci explicou que na terça-feira (16), foi feita uma assembleia de encerramento das atividades, quando foi decidido sobre o fechamento e acordos trabalhistas com os poucos funcionários que ainda estavam vinculados à associação. A casa era alugada e móveis e equipamentos foram penhorados ou distribuídos entre outras instituições que desenvolvem trabalhos afins.

Segundo Douraci, as pessoas com deficiência que antes eram acompanhadas pela Asdef passam agora a ser assistidas por outras entidades como Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), Instituto dos Cegos, Associação de Surdos de João Pessoa, entre outras.

Operação Belerofonte

A Associação de Deficientes e Familiares (Asdef), em João Pessoa, é alvo de investigação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público da Paraíba (MPPB). A Operação Belerofonte, deflagrada na quarta-feira (19), cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da entidade, situada no bairro Tambauzinho. A Justiça ainda autorizou a quebra de sigilo bancário do presidente da Asdef, Francisco Izidoro, principal alvo das apurações. A tesoureira da associação também é investigada.

À TV Correio, Francisco Izidoro negou, naquele dia, ter tido qualquer tipo de conduta fraudulenta. Ele reconheceu que os valores pagos pelas empresas contratantes passavam por sua conta bancária pessoal, mas alegou que esse procedimento tinha como intenção evitar bloqueios judiciais que aconteciam regularmente quando o dinheiro era depositado na conta da associação. Francisco Izidoro também negou que fez ameaças a deficientes associados e disse que iria processar judicialmente quem não apresentasse provas dessas acusações.

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