
Os dois primeiros computadores quânticos da América Latina vão chegar na Paraíba neste fim de semana. As máquinas vieram da China, em um navio, e chegaram ao Porto de Suape, em Pernambuco, nessa quinta-feira (5), e vão ser trazidos para João Pessoa.
A montagem será feita por técnicos chineses e pesquisadores brasileiros treinados na China, em um projeto que coloca a Paraíba e o Brasil na linha de frente do desenvolvimento dessa tecnologia na América Latina.
Na capital paraibana, os computadores serão instalados no Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas (Ciquanta), na estação das Artes. São duas máquinas, de 20 e 100 qubits, unidade que mede a capacidade de processamento desses computadores, fornecidas pela empresa chinesa CETC-IQC.
O espaço conta com blindagem eletromagnética e foi preparado para atender às exigências de peso e energia dos computadores. Ao todo, cerca de 20 profissionais chineses vão se revezar nos trabalhos.
Segundo o secretário Claudio Furtado, cerca de dez países dominam atualmente essa tecnologia, com aproximadamente 200 computadores quânticos estáveis em operação no mundo. “É fundamental para o Brasil, por uma questão de soberania, de formação de recursos humanos e nesta corrida que está se iniciando”, afirma Furtado, que acompanhou o recebimento da carga em Suape.
A montagem começa pela estrutura física dos equipamentos e pelo sistema de resfriamento. Em seguida, serão instalados os componentes lógicos, com a implantação do sistema operacional, e realizados os trabalhos de engenharia de software. O contrato também prevê a transferência dos protocolos de operação para os pesquisadores brasileiros. A estabilização das máquinas deve começar em dezembro, com previsão de funcionamento estável a partir de janeiro.
Enquanto os computadores convencionais processam informações por meio de bits, que assumem os valores 0 ou 1, os computadores quânticos utilizam qubits, que podem combinar esses dois estados simultaneamente. É como uma moeda girando no ar, antes de cair: ela não está apenas em cara ou coroa, mas em uma combinação de possibilidades.
Essa característica permite trabalhar com determinados problemas que exigiriam um esforço muito maior das máquinas tradicionais, especialmente em situações nas quais os computadores convencionais só conseguem chegar a soluções aproximadas. No Ciquanta, os dois equipamentos terão funções complementares. O computador de 100 qubits será voltado a cálculos e processamentos mais complexos, enquanto o de 20 qubits será utilizado em treinamentos e experimentações, permitindo testar novos chips e desenvolver aplicações antes de avançar para projetos maiores.
As aplicações podem alcançar diferentes áreas. Na saúde, a tecnologia pode contribuir para a simulação de moléculas, o desenvolvimento de fármacos e o planejamento de novos medicamentos. Na logística, poderá ajudar a trabalhar com problemas complexos de otimização. Também há possibilidades de uso em estudos climáticos, segurança e defesa, proteção de dados estratégicos, energia e inteligência artificial, entre outras áreas que lidam com grandes volumes de informação.
Pesquisadores interessados em utilizar os equipamentos poderão submeter projetos e solicitar horas de processamento. O processo já está aberto na página do Ciquanta (ciquanta.secties.pb.gov.br).
A expectativa também é atrair startups que desenvolvam soluções relacionadas à computação quântica. As empresas interessadas deverão se instalar no Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, em João Pessoa, contribuindo para a formação de um ambiente de pesquisa, desenvolvimento e negócios em torno da nova tecnologia.
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