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Projeto recupera trechos de Mata Atlântica entre Sapé e Santa Rita, na Paraíba

Em 2020, iniciativa conseguiu restaurar 31 hectares do bioma. Previsão é de que mais 90 sejam recuperados até o fim de 2021
Muda plantada pelo Cepan (Foto: Divulgação)

Um projeto do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) pretende restaurar, até o fim do ano, 90 hectares de florestas nativas na Paraíba. A intenção é plantar cerca de 300 mil árvores. No ano passado, a iniciativa plantou 110 mil árvores, recuperando, assim 31 hectares. As ações de reflorestamento acontecem entre Sapé e Santa Rita.

O objetivo da Cepan é reestruturar o corredor Pacatuba-Gargau, conectando trechos de Mata Atlântica já existes na região. A área interliga florestas em duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs): a Fazenda Pacatuba, no distrito de Santa Helena, em Sapé, e o Engenho Gargaú, em Santa Rita. Ambas são propriedades da Usina Japungu.

O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste estima que 250 hectares de Mata Atlântica precisem ser recuperados na região. A previsão é de que os trabalhos sejam finalizados até 2022.

Com o aumento da vegetação nativa, a biodiversidade terá mais espaço para crescer, beneficiando espécies únicas, como o guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) e o macaco-prego-galego (Sapajus flavius), este último ameaçado de extinção devido a ações antrópicas como desmatamento, queimadas e caça.

As restaurações acontecem através de três técnicas:

  • Condução da regeneração natural, na qual são aplicadas técnicas de silvicultura para aumentar o potencial das árvores se desenvolverem naturalmente nas áreas de atuação;
  • Plantio de mudas, que usa pequenas plantas cultivadas em viveiros
  • Semeadura direta, que consiste na captura de sementes em áreas estratégicas da natureza. Estas sementes são preparadas para compor a “muvuca”, mix de sementes que é semeado diretamente em solo preparado
Foto: Divulgação/Cepan

Em 2020, os trabalhos do Cepan requisitaram 10 mil mudas de 40 espécies nativas e 300 kg de sementes de mais de 50 espécies. O próximo plantio, agora em 2021, será de 40 mil mudas. A demanda por esses insumos estimula a corrida por capacitação e profissionalização de fornecedores locais, gerando uma oportunidade socioeconômica.

Em parceria com a Usina Japungu, o Cepan estrutura a criação de um núcleo de coleta de sementes nativas da Mata Atlântica na Paraíba. A técnica, que simula o processo de sucessão ecológica da floresta, além de ter um baixo custo de manutenção, oportuniza a geração renda complementar para trabalhadores da região.

O bioma

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também um dos mais ameaçados. As florestas atlânticas brasileiras são lar para vasta riqueza biológica, com espécies únicas de fauna e flora. No entanto, apenas 12% de sua cobertura florestal nativa está conservada. Nesta quinta-feira (27), é comemorado o Dia Nacional da Mata Atlântica.

“Temos a Mata Atlântica como um ponto estratégico de biodiversidade endêmica, ou seja, possui alto número de espécies ameaçadas de extinção. O projeto vai além dos serviços ambientais que essas áreas geram – recursos hídricos, energéticos e alimentares. Estaremos restaurando habitats e aumentando a cobertura vegetal envolvendo pessoas locais na cadeia produtiva, conscientizando-as da importância do que está sendo realizado”, comenta o coordenador geral do Cepan, Joaquim Freitas.

O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste é uma instituição privada sem fins lucrativos, fundada no ano 2000, que tem como missão gerar e divulgar soluções estratégicas para a conservação da biodiversidade mediante ciência, formação de pessoas e diálogo com a sociedade. Com sede no Recife-PE e filial em Governador Valadares-MG, atua em planejamento, coordenação e execução de projetos de conservação da biodiversidade brasileira.

O Cepan conta com apoio de entidades locais, regionais, nacionais e de outros países, além de diversas instituições do primeiro, do segundo e do terceiro setor. Na Paraíba, o projeto de restauração florestal no Corredor Pacatuba-Gargaú é executado com apoio da startup alemã Ecosia e das empresas Japungu Agroindustrial e Eco Occelot.

Paisagem do corredor Pacatuba-Gargaú, na Paraíba | Foto: Divulgação/Cepan
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