Não faz tempo, o Brasil comemorava – com certa dose de ufanismo e muito entusiasmo – o upgrade da agroindústria sucroalcooleira.
Na década de setenta, o mundo encarava mais um choque do petróleo e o País – depois de séculos de convívio – voltava a enxergar o álcool como uma opção energética atraente. Em 14 de novembro de 1975 era criado o Proálcool.
A nova aposta ocorreu não só por se tratar de um combustível renovável e de baixo poder poluente, mas também pelo impacto positivo que o incremento da mistura do álcool na gasolina – ou sua versão pura, o etanol – provocaria sobre a balança comercial, que sempre pende para o vermelho quando chegam as contas das importações de petróleo.
Várias etapas marcaram este recomeço. Primeiro ocorreram as adições à gasolina, depois vieram os carros a álcool e, por fim, os carros flex, viabilizados por tecnologia brasileira.
Desde o ano passado, a adição – que chegou a ser de míseros 2% – passou para 25%. Junto com a popularização da frota flex, o Pais fechou o cenário de instalação do projeto Proalcool e renascença do setor alcooleiro.
Foi neste contexto que as usinas voltaram ao posto de destaque da economia nacional. Ganhando, por tabela, visibilidade na vitrine mundial em função do pioneirismo e da tecnologia desenvolvida para a produção do álcool nacional.
Viramos líderes.
Possivelmente, nada tão emocionante ocorria neste segmento desde a criação, na década de 30, do IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool).
Todo esse contexto explica porque assusta tanto assistir, neste instante, as usinas sucroalcooleiras de pires na mão, pedindo proteção contra a invasão do álcool americano – aquele feito a partir do milho e que tinha, pelo menos aparentemente, custo/benefício muito aquém da versão nacional, produzido com cana de açúcar.
Aparentemente, as usinas perderam o fôlego. E agora pedem socorro, demonstrando que o segmento passa por período de extrema fragilidade.
Dados do Fórum Nacional Sucroenergético, 43 usinas foram desativadas nos últimos cinco anos e 36 entraram em recuperação judicial em todo o País.
Aqui na Paraíba, uma reunião foi articulada por representantes do setor e do Governo do Estado para também fechar as portas do Estado ao álcool americano.
Como brasileiro, não posso torcer – lógico – pelo álcool estrangeiro. Mas também não posso concordar com o protecionismo.
A vida empresarial me ensinou, sequenciadamente, que o mercado – e suas regras – devem ser superiores as contingências.
Não podemos aceitar o fechamento do mercado. Até porque isso pode até resolver o problema dos usineiros, mas cria um novo para os consumidores.
O que o País precisa neste momento é entender porque passamos de líderes e pioneiros para a condição de amedrontados pela concorrência. E viabilizar – com o enxugamento do Custo Brasil – a oxigenação do setor sucroalcooleiro.
Um setor que, diga-se de passagem, é um sobrevivente brasileiro. Pois em meio a altos e baixos, vem se mantendo na cena econômica nacional desde os tempos em que os holandeses sonhavam conquistar estas terras.
Só encarando os problemas de frente – com disposição para resolvê-los efetivamente – poderemos, então, voltar a bradar, com orgulho, que o álcool continua sendo muito nosso.