“A vida é assim mesmo; eu quis assim”. Esta frase, tão simples quanto a água, vale para explicar os próximos erros e acertos. Melhor acertar. Não precisa ser exatamente na mosca, no número. O número 10 já é um bom tiro, contanto que não mate ninguém. “A vida é assim mesmo; eu quis assim” é frase de letra de Torquato Neto que Gal Costa registrou em disco. O nome? “Mamãe Coragem”.
Torquato Neto não atingiu a massa, a classe média, os universitários, etc. e tal, tanto quanto Vinícius de Moraes. A morte precoce – se é que existe alguma precocidade quando se “morre cedo” -, o suicídio, o gás aberto no banheiro da carioca Zona Sul, levou Torquato para outros campos astrais impedindo que ele passasse a ser “best-seller” da vanguarda. Apesar de que Torquato nunca quis ser “best-seller” de qualquer coisa.
Ele sempre quis ser assim, assim como foi, culturalmente suicidado, com “um beijo preso na garganta”, com “um jeito de quem não se espanta”, pedindo à mãe que não
chorasse, pois não haveria solução dentro dos padrões da maioria.
Torquato Neto – tão nordestino em meio ao metropolitismo caótico do Rio de Janeiro, como seu próprio Piauí sonhando com Nova York – tem muito a ver com uma geração que na Paraíba foi bem representada por Jurandy Moura. Uma geração sem compromissos (“pra fazer festa ou comício, com você junto de mim”) com os estabelecidos. Geração que conseguiu atravessar ditadores, delatores, desamores, destemperos, distonias.
Torquato Neto marcou aquela geração. Aquela? Ou esta? Na verdade, a eternidade torquatiana se estende, sem que muitos saibam, até pelos símbolos de votar nulo.
Não anularei o voto em outubro próximo, mas é respeitável, em quantidade e qualidade, a parcela da população que já pensa em se expressar pelo nulo.
Quantidade, qualidade? A cultura, a civilização, elas que se danem, ou não?…