O momento político não poderia ser mais favorável à Paraíba:o governador Ricardo Coutinho (PSB) tem o reconhecimento da presidente Dilma Rousseff (PT) por ter divergido do seu partido para segui-la em momento estratégico da disputa eleitoral, e por contar com 11 dos 15 congressistas paraibanos, que são de partidos da sua base – nove deputados federais e dois senadores.
A Paraíba conseguiu o capital político e a questão agora é: poderá revertê-lo em investimentos federais, quando o Governo anuncia que o esforço nos próximos dois anos será para o ajuste fiscal, prevendo crescimento apenas a partir de 2017?
A equipe econômica anuncia foco no controle da inflação, deve aumentar ainda nesta semana a taxa de juros que está em 11,25%. As medidas não eliminarão os investimentos, embora os mecanismo de seleção tendam a ser ainda mais rigorosos e direcionados as metas.
Para não perder 2015, a Paraíba terá que agir rápido e em sintonia com essa nova conjuntura. Terá que aliar o capital político (significativo não apenas para administrar as consequências do caso Petrobrás, mas também para levar adiante as reformas prometidas,política e tributária), com capacidade de planejar o futuro.
Sem bons projetos, não existe garantia de recursos. São considerados bons apenas os que garantem retorno para o Estado e País. Lembro que em 2009, quando o governador José Maranhão reclamou, em reunião da Sudene, do traçado da ferrovia Transnordestina que excluía a Paraíba embora não estivesse longe de Sousa e Cajazeiras, o então ministro da Integração, Geddel Vieira perguntou qual a produção que o Sertão teria para transportar que justificasse o alto investimento de um ramal.
Maranhão, que tinha acabado de assumir o governo, defendeu o potencial da região, citou as jazidas de ferro de Cajazeiras e as Várzeas de Sousa, que com 100% de sua capacidade poderá abastecer o mercado interno e exportar alimentos para outras regiões. Mas o projeto já estava pronto e Geddel disse, alto e claro, que a hora de reclamar tinha passado.
Essa é a lição: não podemos perder a hora certa. 2015 será de aperto, mas sempre há espaço para uma boa ideia.Como os recursos serão limitados, quem chegar primeiro, levará.