Racionamento em CG só acabará em 2022 se vazão da transposição não subir, diz professor

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O professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e doutor em recursos hídricos, Francisco Sarmento, afirmou na tarde desta quarta-feira (22), que se a vazão da transposição das águas do rio São Francisco continuar em torno de 300 litros por segundo o racionamento de Campina Grande só será amenizado daqui há cinco anos e três meses. A declaração foi rebatida pelo presidente da Agência Estadual de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), João Fernandes, que aguarda dados sobre a atual vazão de água para Monteiro.


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Em entrevista ao Correio Debate, na TV Correio, Francisco Sarmento alertou que além da barragem de Barreiros, em Pernambuco, outros dois mananciais apresentaram problemas e têm suas estruturas comprometidas.

“Eu estive fazendo essa viagem no último dia 19 ao projeto, visitei desde a Estação de Bombeamento número 5 (EVB-5) até o desague da água na Zona Urbana em Monteiro. A conclusão disso tudo é que a EVB-5 estava parada, a EVB-6 apenas uma funcionava. Três barragens estavam com problemas na sua parede, uma delas se rompeu, que foi Barreiros. As outras duas, Campos e Barro Branco, não romperam porque foram tomadas providências rápidas. Porém, essas três barragens não podem trabalhar cheias”, afirmou o professor.

Segundo o professor, foram feitos reparos nesses três barragens, mas elas não estão aptas a receber a capacidade total de água prevista. Ainda segundo Francisco Sarmento, o ideal é que a vazão atingisse os 9 mil litros por segundo para que os prazos previstos pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) e pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) para o fim do racionamento em Campina Grande sejam cumpridos.

“Se esses problemas nas barragens não forem corrigidos nos próximos meses a água não poderá ser aumentada em termos de volume, a não ser que se tome providências urgentes. Se permanecer os 300 litros por segundo vai levar 5,3 anos para levar 50 milhões de metros cúbicos (m³) em Boqueirão”, contou Sarmento.

Francisco Sarmento observou que mesmo na cidade de Monteiro, a água não chega as torneiras e que na Zona Rural do município fica inviável para a Cagepa construir sistemas de abastecimentos singelos para levar água da transposição a comunidades mais distantes.

Na entrevista ao Correio Debate, Francisco Sarmento disse ainda que não acredita que o Eixo Norte da transposição seja concluído até o fim deste ano.

Aesa rebate

Ao Portal Correio, o presidente da Aesa disse que faltam dados técnicos nas afirmações de Francisco Sarmento. Apesar disso, João Fernandes reconheceu que a obra da transposição não foi concluída e que passa por dificuldades.

“Relatório sem fundamentação técnica. Temos conversado com o ministério. Acho que o ministério tem agido com seriedade. Tiveram problemas, mas eles estão sendo resolvidos. Claro que a obra não foi concluída. Foi prometido e eu esperava vazão de 9 mil litros por segundo, mas nos foi entregue 4,5 mil litros por segundo e esse número caiu para 1,8 mil litros por segundo por conta dos problemas com a bomba. Esperamos que o prazo de resolução do problema (até o fim deste mês) seja cumprido e que nós voltemos a receber o que foi prometido, para que possamos seguir com o cronograma para Boqueirão”, afirmou João Fernandes.

Na manhã desta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), o deputado estadual João Henrique (DEM) reconheceu que a população de Monteiro espera por essa água nas torneiras.


Eixo Norte teve licitação concluída

Na noite dessa terça, Parlamentares paraibanos e de outros estados participaram de uma reunião com o ministro da Integração Nacional, Hélder Barbalho, para agilizar a obra.

Durante a reunião, o ministro afirmou que o processo de licitação teve um vencedor e que as obras devem começar o mais rápido possível.

Ainda na reunião, os parlamentares paraibanos debateram o andamento do Ramal Piancó, que vai perenizar o Rio Piancó e levar água para o conjunto de barragens Coremas-Mãe D’Água.

Em ambos os casos, o ministro Hélder Barbalho confirmou que os cronogramas serão mantidos e que não haverá mais atraso na conclusão dos trechos.

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